11 de julho de 2026
Polícia

Associação defende delegados inativos à frente dos presídios

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Após a megarrebelião, que atingiu mais de 80 presídios do Estado de São Paulo, a Associação dos Delegados de Polícia sugere que profissionais aposentados assumam a direção das unidades prisionais. Esta é a proposta do presidente da entidade, André Di Rissio para tentar solucionar o caos instalado no Estado por conta das rebeliões e ataques atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ele é enfático em dizer que os delegados têm críticas, mas também propostas para o sistema prisional. “Os delegados de polícia têm uma proposta emergencial, caso o governo esteja interessado politicamente em debelar toda essa situação que ele mesmo criou”, disse.

Di Rissio defende a contratação de delegados aposentados que exerceram cargo de diretor de cadeia para dirigir os presídios porque afirma que eles têm experiência em lidar com presos. “Mas também tem de comprar detectores de metais iguais aos usados nas entradas dos bancos. A grande arma dos bandidos é a comunicação através de celular”, ressalta.

Para ele, a entrada dos celulares nos presídios tem que ser coibida de qualquer forma. “Os detectores impediriam a entrada oficial do celular. Mas há outra maneira do aparelho entrar, que é através da corrupção de agentes”, frisa. Para esses casos, Di Rissio indica uma solução moral. “A presença física de um delegado em cada unidade vai impedir essa prática nefasta”, acredita.

A proposta, que ainda não foi apresentada à Secretaria de Administração Penitenciária, pode ficar somente no papel. “Não fomos chamados a opinar e não é surpresa porque os secretários da Segurança e da Administração Penitenciária são amadores”, critica.

Apesar da fala áspera, Di Rissio diz que o momento é de união das pessoas de bem. “Nós temos de ficar do mesmo lado, sem divisões porque o crime permanece unido”, frisa. Depois do caos, ele sugere um debate sobre segurança pública, inclusive com outras instituições.

Ele questiona o papel do Ministério Público nessa situação. O presidente da Associação dos Delegados convoca os promotores de Justiça a se manifestarem sobre a crise no sistema prisional. “Pela Lei das Execuções Criminais, eles deveriam comparecer nas cadeias para fiscalizar o cumprimento da lei. A população quer saber quais as atividades que o MP teve nos presídios que se debelaram”, ressalta.

Outra crítica do presidente da entidade é ao poder judiciário. “Como é que colocam na rua 12 mil bandidos na iminência de uma tragédia como aconteceu no Dia das Mães?, questiona referindo-se aos detentos que obtiveram autorização judicial para deixar os presídios no final de semana.

Para Di Rissio, o pior já passou, mas há risco de se repetir. “Que esse episódio seja um divisor de águas. Não podemos deixar que se repita porque será ainda mais triste. Esse episódio aconteceu em 2001 e 2003 e, mais uma vez, o Estado não acreditou nas informações fornecidas pela sua polícia”, comenta.

Para o delegado, as polícias foram pegas de surpresa e não tinham a dimensão do problema quando começaram as rebeliões e os ataques. “O ato era previsto, mas não o tamanho dele. Os secretários subestimaram o poder lesivo dos bandidos”, frisou.

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Origem do caos

Qual é a origem do caos instalado no Estado? Porque a situação chegou a esse ponto? São perguntas que ainda rondam a cabeça dos paulistas e dos paulistanos. Na opinião do presidente da Associação dos Delegados do Estado de São Paulo, André Di Rissio, a resposta é a soma da falta de estímulo às polícias, de investimento no efetivo, desmonte do aparato de segurança pública, políticas errôneas de segurança pública e secretários deslocados da área.

Na avaliação dele, nos últimos 12 anos faltam investimentos na polícia, principalmente no profissional. De acordo com ele, o delegado paulista tem o pior salário do Brasil. “Um delegado em início de carreira no Estado de São Paulo ganha R$ 3 mil. No Mato Grosso Sul, R$ 8,8 mil. Isso mostra a preocupação que eles têm com segurança”, compara.

Para Di Rissio, o Estado de São Paulo descuidou da segurança e agora está sofrendo as conseqüências. “Estamos lutando para impedir que aqui se instale uma situação semelhante à do Rio de Janeiro”, alerta.