Após o medo e apreensão natarde e noite de segunda-feira, em uma espécie de toque de recolher que deixou as ruas de Bauru vazias, a população retomou - quase que totalmente – à rotina, na manhã de ontem. A sensação de medo ainda não passou, mas a necessidade de cumprir compromissos fez com que a movimentação nas ruas da cidade voltasse. Ônibus circulando, celulares tocando, pessoas caminhando apressadas e filas nos bancos indicavam que a população estava ocupada com o dia-a-dia.
Aguardando o ônibus circular na avenida Rodrigues Alves, o aposentado Ademir Falcão afirmou que ainda estava alerta. “Está todo mundo de orelha em pé”, diz. Também aguardando circular, o funcionário de um frigorífico, Wagner Vieira, conta que não deixou os compromissos por medo. “Não mudou nada porque trabalhei normalmente ontem (anteontem)”, diz.
No Calçadão da rua Batista de Carvalho, as lojas abriram e receberam os clientes normalmente ontem pela manhã. A gerente de uma loja, Ida Gavioli, disse que a circulação de pessoas era normal na manhã de ontem. “Abri a loja às 8h55, como todos os dias. Aparentemente, está tudo de volta à normalidade”, avaliou.
Nas escolas, alguns pais ainda apreensivos com a violência nas ruas preferiram deixar os filhos em casa na manhã de ontem. Foi o caso de Renata Eiras Colnaghi. “Ontem (anteontem), o dia foi muito tumultuado. O comércio fechou as portas antes do horário previsto e ficamos tensos. Quis poupar meus filhos e deixá-los em casa”, diz.
Duas alunas de uma escola pública que não quiseram se identificar relataram que seus pais não queriam que fossem estudar ontem. “Não fiquei com medo, mas minha mãe, sim. Ela não queria que eu fosse para a escola. Mesmo assim não faltei”, diz uma das estudantes, da 8.ª série do ensino fundamental.
A mãe de duas meninas de 2 e 3 anos, Suzana dos Santos Freitas, não ficou com medo porque acompanhou o desenrolar dos acontecimentos pela imprensa. Ela levou as filhas na creche ontem, como faz todos os dias. “Não cheguei a ter medo porque tenho visto que os bandidos estão atingindo apenas autoridades e não pessoas comuns”, diz.
Na creche que atende as filhas de Freitas, no Parque Vista Alegre, a diretora Cristiane Aparecida Garcia de Oliveira afirmou que 20% das crianças faltaram ontem. Mas, segundo ela, as ausências são comuns no período de frio. “Esperávamos mais faltosos, mas a maioria das mães não tem com quem deixar os filhos”, afirma.
Os 7.537 alunos do ensino fundamental, 1.300 do Ensino de Jovens e Adultos (Eja) e outros 12.518 da educação infantil da rede municipal tiveram aula normalmente ontem. “As aulas voltaram ao normal hoje (ontem). Ontem (anteontem) à noite só foram suspensas por causa do pânico que gerou na cidade”, explica a diretora de divisão de ensino fundamental Rosângela Redondo Ribeiro. Nas 81 escolas estaduais da Diretoria Regional de Ensino, as aulas também transcorreram normalmente.
Preocupados, pais de alunos ligaram para as diretoras antes de decidir mandá-los à escola. Na escola estadual Joaquim Rodrigues Madureira, no Parque Vista Alegre, a vice-diretora atendeu ligações pela manhã. “Eles perguntaram se ia mesmo ter aula. Informamos que sim. Apenas na noite de ontem (anteontem), os alunos foram dispensados mais cedo porque os ônibus deixaram de circular após as 21h”, explica.