Brasília - O senador Ney Suassuna (PMDB-PB) responsabilizou ontem assessores de seu gabinete por terem envolvido seu nome no escândalo de compras fraudadas de ambulâncias por prefeituras. Ele declarou que sua assinatura foi falsificada.
Roberto Arruda e Marcelo Carvalho, dois assessores do gabinete de Suassuna, foram presos sob a acusações de corrupção passiva, crime contra a ordem tributária, fraude em licitação, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.
Mas as transcrições de conversas gravadas pela Polícia Federal (PF) indicam o envolvimento direto do senador. A Justiça enviou os documentos à Mesa do Senado e ao Supremo Tribunal Federal para que o caso fosse investigado, já que ele tem direito a foro privilegiado.
Segundo as investigações, a quadrilha era comandada por Darci Vedoin, dono da Planam. Apontada como integrante da quadrilha, Maria da Penha Lino foi flagrada conversando com Luiz Vedoin, filho de Darci, sobre emendas de Suassuna. Ela se refere a Suassuna como "tio Ney da Paraíba" e diz a Vedoin ter conversado com o próprio senador sobre as emendas.
"Não conheço nenhuma Penha, não conheço Vedoin", disse Suassuna: "O documento que solicita essa intervenção não foi assinado por mim, conforme qualquer perícia técnica poderá atestar". Ele referia-se a um ofício em que é solicitado o empenho de R$ 3,6 milhões para as entidades Ippes e Fundação Hipólito Pereira que teriam convênios com prefeituras da Paraíba.
Suassuana afirma que fez os pedidos diretamente às prefeituras, sem o intermédio das entidades. Nos últimos três anos, fez 29 emendas para ambulâncias, e só 13 eram da Planam.
Novos dados
O delegado da Polícia Federal, Tardelli Boaventura, que está à frente da Operação Sanguessuga, entregou ontem para a comissão de sindicância da Corregedoria da Câmara novos documentos sobre o processo. O material apontaria nomes de deputados supostamente envolvidos no desvio de recursos do Orçamento para compra superfaturada de ambulâncias, além dos 17 que já estão sendo investigados.
O relator da comissão, deputado Robson Tuma (PFL-SP), disse que "são dados extremamente importantes" que lhe causaram "profunda angústia". Os documentos apresentados à comissão foram apreendidos na sede da empresa Planam, que fabricava as ambulâncias. Há uma lista de parlamentares que receberam dinheiro da empresa. Segundo um deputado que integra a comissão de sindicância, há nomes de parlamentares que não estão incluídos entre os 17 que estão sendo investigados como beneficiários da Planam. A empresa pagava propina para os deputados para que colocassem emendas no Orçamento para a compra de ambulâncias.
A comissão de sindicância ainda aguarda as gravações das conversas telefônicas da quadrilha, que deverão ser encaminhadas até ontem à Câmara. Como o processo corre em segredo de Justiça, Tuma, disse que os citados poderão ter acesso ao material, mas não poderão fazer cópias.
Vazamento
O delegado esclareceu na audiência que não foi a PF quem vazou a lista com os nomes dos deputados supostamente envolvidos no esquema. "Nós cumprimos uma ordem judicial para encaminhar todos os diálogos em que pessoas com foro privilegiado foram simplesmente mencionadas sem fazer qualquer juízo de valor para que as instâncias competentes tomassem as providências necessárias", defendeu-se.