08 de julho de 2026
Polícia

Aparelho simples pode evitar comunicação

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Com aparelhos celulares, líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC), mesmo presos, comandaram rebeliões e ataques que deixaram os paulistas em pânico no final de semana e segunda-feira. Um aparelho relativamente simples, chamado jammers, pode evitar a comunicação feita de dentro dos presídios e, conseqüentemente, dificultar a ação da facção criminosa.

O aparelho, afirma o professor João Antonio Zuffo, titular de eletrônica da Universidade de São Paulo (USP), impede a comunicação ao congestionar linhas e provocar ruídos que impedem o entendimento da conversa. O bloqueador pode ser usado num espaço específico, não interferindo no aparelho celular dos moradores da região, bastando ajustar o aparelho para o alcance desejado.

Com centenas de fabricantes, o aparelho está disponível no mercado, mas a venda é restrita a empresas previamente cadastradas. Zuffo defende que o bloqueador é um equipamento barato. “Custa entre US$ 100 e US$ 4 mil”, conta. De acordo com ele, com o jammers é possível bloquear qualquer tipo de aparelho de celular.

Zuffo explica que a tecnologia pode ser usada como um grande farol sobre as unidades prisionais. “As ondas eletromagnéticas se comportam como se fossem uma luz brilhante, que interfere na luz mais fraca que é o celular. Com isso, as pessoas não conseguem se comunicar”, explica.

Ele frisa que o aparelho já está sendo usado em alguns presídios brasileiros, porém, estão obsoletos ou desatualizados. “A gente atualiza o televisor a cada quatro anos, o microcomputador a cada dois anos. A tecnologia evolui muito rapidamente e os jammers precisam ser atualizados também”, diz.

A praticidade do aparelho é outra vantagem apontada pelo professor. “Dependendo do tipo, pode ser carregado até num carro, de um lado para outro. Você liga na tomada e ele funciona”, completa. Um dos maiores equipamentos, usado profissionalmente, tem 19 polegadas, segundo o professor. “Há os comuns, que são portáteis, utilizados por soldados em campo de batalha para bloquear a comunicação do inimigo”, comenta.

Assim como o aparelho pode beneficiar a segurança pública, pode ser usado por marginais. Em função disso, a venda é restrita, adverte Zuffo. “Isso porque os criminosos podem usá-lo num assalto a banco, impedindo que as vítimas peçam socorro pelo celular, por exemplo”, diz. O perigo, segundo ele, é o contrabando do jammers. “Os países fabricantes controlam muito bem, mas o contrabando não é impossível”, frisa.

Outros aparelhos

A USP tem uma equipe de 400 pesquisadores que desenvolvem equipamentos específicos para empresas, segundo o professor Zuffo. “Desenvolvemos vários tipos de equipamentos, mas o Estado usa pouco os conhecimentos das universidades”, revela ele.

Porém, depois dos tumultos do último final de semana, o governo estadual passou a consultar a universidade. “Anteriormente, nunca fomos consultados”, conta. Ele frisa que o jammers não foi desenvolvido no país porque a venda é restrita e o custo seria muito alto. “Mas temos como desenvolver detectores de metais e aparelho de raio-X para os presídios. Com o raio-X portátil, é possível detectar o que dentro das bolsas e sacolas”, exemplifica.