08 de julho de 2026
Cultura

História esquecida

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

O Dia Internacional dos Museus, celebrado hoje, representa um desafio para os coordenadores dos seis museus e centros históricos em funcionamento na cidade. Trabalhando com diferentes contextos econômicos, todos se deparam com a mesma realidade: a baixa procura da população, que muitas vezes desconhece até mesmo a existência das instituições.

A falta de uma identidade dos cidadãos com a história do município e a sacralização dos museus - encarados pela maioria das pessoas como redutos de coisas velhas - são algumas das causas para a reduzida visitação apontadas pela coordenadora do Museu Histórico Municipal e do Museu Regional Ferroviário, Neli Maria Fonseca Viotto.

“É um problema nacional que se reflete também em Bauru. É preciso desmistificar a idéia que se tem dos museus. Não é um lugar onde as pessoas vão apenas visitar objetos do passado, mas um espaço de pesquisa, onde se busca a reflexão sobre o trabalho do homem e sua evolução”, afirma Viotto.

O Museu Histórico Municipal - que conta com um acervo eclético, repleto de fotos, discos e jornais - enfrenta problemas estruturais, como o pequeno espaço e a falta de um prédio próprio. Tais situações muitas vezes assustam doações de pessoas que têm acervos.

“Uma das razões para isso é a não-credibilidade do museu. É por isso que desde que assumi (o cargo), no início do ano, tenho a meta de dar condição de suporte para poder salvaguardar o acervo. Não adianta a pessoa doar se não tivermos onde guardar”, salienta.

Em situação um pouco diferente encontra-se o Museu Ferroviário Regional, com peças, fotografias e documentos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e da Estrada de Ferro Sorocabana. Administrada por um conselho deliberativo, formado por integrantes do Poder Público e funcionários da Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA), a instituição trabalha com orçamento menos apertado que o Museu Histórico.

“Além do fator financeiro, há uma procura maior pelo Museu Ferroviário por conta da forte presença da ferrovia na história de Bauru. Mesmo assim, a visitação ainda é pequena”, coloca Viotto.

No prédio ao lado do Museu Ferroviário, localiza-se o Centro de Memória Regional da Universidade Estadual Paulista (Unesp)/RFFSA, que passa despercebido por grande parte dos visitantes. Lá encontra-se o acervo da antiga NOB desde 1904, com relatórios, boletins dos funcionários, fotos, mapas, gráficos e plantas.

Requisitado principalmente por acadêmicos, o centro sofre com a falta de recursos. “A verba é muito tímida, 60% do acervo está disponível para a população, mas o restante ainda precisa passar por processo de higienização, o que demanda dinheiro e pessoal”, lamenta o coordenador do centro e professor do departamento de arquitetura da Unesp, Nilson Guirardello.

Outro local na cidade que armazena vasto material sobre a cidade é o Núcleo de Documentação e Pesquisa Histórica de Bauru e Região “Gabriel Ruiz Pelegrina” (Nuphis), mantido pela Universidade do Sagrado Coração (USC).

Integram o acervo jornais de Bauru, arquivos da Câmara Municipal, do Poder Judiciário, da Diocese de Bauru, do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior, além de fotos. “Todo o material passará por um processo de digitalização para a preservação dos originais”, adianta o coordenador Gabriel Ruiz Pelegrina. A consulta é gratuita, mas deve ser agendada antecipadamente por telefone.

Ainda há na cidade o Museu de Saúde Silas Braga Reis, mantido pelo Instituto Lauro de Souza Lima, e o Yauaretê, com livros, vídeos e CDs referentes às culturas africana e indígena, que carece de um lugar apropriado para conservação do material.