09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ataques derrubam vendas no comércio

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

Supermercados vazios, lanchonetes fechadas, escolas sem alunos e ruas desertas. Este era o retrato de Bauru no fim da tarde da última segunda-feira, quando os ataques criminosos contra a polícia foram mais intensos.

Os impactos dessa onda de violência não comprometeram apenas a segurança pública. Também atingiram o comércio no município. Muitos estabelecimentos registraram perdas de até 50% nas vendas. Por determinação policial e também pelo baixo número de pessoas nas ruas, muitas empresas deixaram de operar antes do início da noite.

Numa rede de lanchonetes de Bauru, a estimativa é de que 25% do consumo esteja sendo afetado por dia desde segunda-feira. A principal loja do estabelecimento, que funciona 24h na avenida Nações Unidas, teve de interromper as atividades à meia-noite por conta do toque de recolher determinado pela polícia. O atendimento só foi retomado às 8h de terça-feira.

“Temos uma demanda de mil clientes por dia. Porém, desde o início da semana o movimento tem sido bem menor. As pessoas ainda estão com receio de sair às ruas, principalmente à noite”, diz Carlos José Martins, gerente da empresa em Bauru.

Ainda de acordo com ele, a expectativa é de que as vendas não retornem à normalidade enquanto a onda de crimes não for contida.

As duas lojas e os três quiosques de uma rede de fast-food em Bauru tiveram que encerrar o expediente na segunda-feira por volta das 18h. Segundo Emerson Hortolan, dono da franquia da empresa na cidade, dos 2.600 pedidos que são comuns às segundas-feiras entre todas as unidades da loja no município, pelo menos a metade deixou de ser feita.

“Perdemos o movimento da noite, que é o mais intenso. O número de consumidores ficou abaixo do normal durante todo o expediente. As pessoas estavam com receio de sair de casa. No entanto, a partir de terça-feira a situação se normalizou”, comenta o empresário.

As perdas também foram significativas em duas redes supermercadistas de Bauru, as quais deixaram de atender a partir das 18h da última segunda-feira por conta dos crimes na Capital e em outras cidades do Estado. Em uma delas, que possui três lojas na cidade, a assessoria de imprensa informou que foi registrada queda de 40% nas vendas. Na outra, que possui quatro estabelecimentos em Bauru, o déficit do volume comercializado chegou a 35%.

A situação do comércio não é diferente em outras cidades do Estado e, principalmente, na Capital. A vida noturna paulistana, conhecida principalmente pelo movimento de bares, boates e casas que oferecem programas culturais, está adormecida também desde segunda-feira. Lá, as pessoas, a exemplo dos bauruenses, estão preferindo abrir mão das tradicionais saídas noturnas a correr riscos de serem atingidas de alguma forma pelas ações criminosas, que ninguém pode prever onde e quando podem acontecer.