09 de julho de 2026
Polícia

Deinter sabia de espionagem e afirma que ‘escuta’ presos

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

A comunicação é, de fato, a principal arma da ‘guerra’ travada entre as polícias e os presos que pertencem a facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC). Interceptar as conversas passou a ser o grande trunfo de ambos os lados. Para a polícia, conseguir ouvir os planos dos detentos é um desafio e o mesmo acontece do lado oposto, que tenta saber quais os próximos passos da polícia. Ontem, o JC publicou transcrição de conversas entre presos gravada por um radioamador de Bauru que revelam que os detentos escutam a comunicação da polícia.

“É uma guerra de inteligência”, diz Roberto de Mello Annibal, diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-4 (Deinter-4). Para ele, toda informação sobre os presos é bem-vinda, porém nem todas são confiáveis. “Eles (detentos) ‘plantam’ muitas informações para desviar a atenção das polícias e o setor de investigações”, ressalta.

A Polícia Civil, de acordo com Annibal, trabalha 24 horas checando dados e informações conseguidas através do seu serviço de inteligência. “Temos um departamento de inteligência fazendo escuta no Deinter-4. Nas delegacias seccionais, também temos. Nesse período (de ataques e rebeliões atribuídos ao PCC) estamos trocando informações entre nós e temos conseguido resultados positivos”, afirma.

Resultados

Dentre os resultados, o diretor do Deinter destaca a apreensão de duas centrais telefônicas na madrugada de ontem. Sobre a espionagem dos presos, Annibal disse que a polícia já sabia que eles escutam algumas conversas entre policiais. “Por isso, nem tudo é falado nos rádios de comunicação, na freqüência que eles têm acesso. Temos um canal exclusivo, mais seguro”, garante.

O mesmo, na opinião dele, deve ocorrer com os presidiários. “Eles não falam tudo no rádio e no telefone, especialmente porque sabem que podemos estar ouvindo. Usam códigos”, ressalta Annibal. A comunicação da polícia, informa o diretor, é aberta somente quando ela está em ação e essa ação é atual e iminente. “Temos um linguajar próprio, não códigos, que eles devem entender”, comenta.

Annibal avisa que falar em aparelho celular não é seguro para ninguém. “Não tem nenhuma segurança. Há um rádio de comunicação que, passando por uma adaptação, consegue captar sinais de celular não de um aparelho exclusivo, mas daqueles que estiverem sendo usados naquela área de atuação”, ressalta Annibal.