10 de julho de 2026
Polícia

Bauruenses com parentes na Capital vivem em tensão

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) somados às ações policiais e ao clima de tensão vivido pelos paulistanos está afetando a rotina dos bauruenses que têm parentes morando na Capital. O telefone é o recurso, aliado da invocação à proteção divina, usado pelos familiares para ter notícias nos momentos de maior tensão.

Para a Polícia Civil, a palavra de ordem para os cidadãos comuns é cautela, explica o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo-4 (Deinter-4), Roberto de Mello Annibal. “Os ataques não são contra pessoas, portanto é importante que os bauruenses orientem seus familiares na Capital para ficarem longe de delegacias e bases da Polícia Militar”, diz.

As baladas, costumeiramente freqüentadas pelos jovens e estudantes, devem ser abolidas da agenda. “As mães devem orientar os filhos a evitar as saídas noturnas nesse período. Os locais de grande aglomerações também devem ficar fora do roteiro de fim de semana”, orienta.

Permanecer o maior tempo possível recolhido em casa é o melhor remédio para o paulistano, orienta o diretor. A comerciante Vera Juliano invoca a proteção divina para ter tranqüilidade em Bauru com a filha estudando e trabalhando em São Paulo. “Eu penso em Deus. Acredito que só ele pode ajudar a minha filha a ficar no lugar certo na hora certa, a não estar num lugar que tenha algum ataque violento”, diz.

Preocupada, a mãe conta que orienta a filha a nunca resistir em caso de assalto e a deitar-se no chão se houver tiros. Além disso, a comerciante pede para a filha não saia à noite e evite locais de grande aglomeração de pessoas.

Mesmo com todos os obstáculos, ela acredita que a filha deve permanecer na Capital. “Eu não a chamo de volta porque acho que ela deve e precisa ficar por lá, onde tem chances de conquistar a posição que acredita em sua profissão”, frisa.

A comerciante Rita Tayar tem mãe, irmã, cunhado e sobrinho na Capital. “Minha mãe sai pouco na rua, mas minha irmã, cunhado e sobrinho, trabalham e estudam. Com eles, a preocupação é maior”, conta.

A insegurança gerada pelos ataques mudou a rotina da comerciante, que ligava para a família apenas uma vez por semana. “Passei a ligar diariamente. Não fico tranqüila enquanto não fico sabendo que eles estão bem”, frisa. Para ela, o brasileiro precisa atentar para a situação e entender que a segurança está intimamente ligada à conscientização política.