07 de julho de 2026
Rural

Brasil quer elevar consumo de café

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

O Brasil e o mundo precisam consumir mais café. A afirmação é do presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e da Comissão Nacional do Café (CNC), Maurício Lima Verde. Ele embarca hoje à noite para Londres, na Inglaterra, para representar o setor privado em mais uma reunião da Organização Internacional do Café (OIC). Segundo ele, o foco principal das discussões será a necessidade de aumentar o consumo do produto.

De acordo com ele, a safra 2005/2006 vai marcar a primeira vez nos últimos dez anos que a produção mundial de café será menor do que o consumo: cerca de 108 milhões de sacas contra 120 milhões, respectivamente. Somente no Brasil, a previsão é de colher aproximadamente 42 milhões de sacas. O consumo interno anual gira em torno de 15 milhões de sacas de café.

“Em termos estatísticos, este ano sinaliza bons resultados para os países produtores. Mas é preciso aumentar o consumo do café no mundo todo. Só será possível ter preços mais altos e estáveis (para os produtores) quando o consumo do café crescer. É uma luta difícil porque está diretamente ligada ao hábito das pessoas. Espero que as discussões na OIC apontem para alguma coisa nova no setor”, observa Lima Verde.

Atualmente, o preço da saca de 60 quilos custa em torno de US$ 110. Em 2004 chegou a cair para US$ 50 em função das constantes safras com volume de oferta maior do que o consumo. O último balanço feito pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), no final de março, mostra que o Brasil tem cerca de 10 milhões de sacas de café em estoque.

Consumo x produção

Atualmente, os Estados Unidos são os maiores consumidores de café do mundo, com a marca de 20 milhões de sacas ao ano. Em segundo lugar vem o Brasil, com cerca de 15 milhões de sacas consumidas anualmente. Entre os países produtores do grão, o Brasil está em primeiro lugar, assim como no ranking de exportações do produto.

Para a reunião da OIC, Lima Verde levará um texto com a proposta brasileira para a expansão do consumo mundial de café.

Entre as linhas mestras da proposta estão a geração de metodologias e modelos de promoção de consumo viáveis em ambiente de livre mercado; ampliar o enfoque organizacional do Guia da OIC para mercados emergentes e consumidores tradicionais; criar um banco de idéias e balcão de projetos para a utilização do café pelo agronegócio e pela indústria, entre outras.

De acordo com Lima Verde, na última safra foi registrado aumento de 3,8% no consumo mundial de café, o equivalente a cerca de 4 milhões de sacas. Para ele, é pouco.

“O aumento do consumo de café interessa para todos os envolvidos, ou seja, produtores e consumidores. Por isso, tenho a expectativa de que as discussões durante a OIC serão positivas. A China é um mercado maravilhoso a ser explorado, mas aumentar o consumo de um produto é uma coisa que mexe com os hábitos das pessoas, ou seja, é um projeto a longo prazo. E não adianta baixar o preço do cafezinho que o consumo não aumentará na mesma proporção”, aponta o vice-presidente da Faesp e CNC.