08 de julho de 2026
Geral

Plágio muda conduta de professores

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 3 min

A incidência de plágio nos trabalhos acadêmicos está mudando a conduta dos professores nas universidades e faculdades de Bauru. Algumas medidas passaram a ser adotadas para evitar que alunos fraudem desde trabalhos das disciplinas até monografias de conclusão de curso. Trabalhos feitos em casa são trocados por provas; anotações que revelam o percurso que o aluno fez para chegar no texto final são exigidas.

A professora de comunicação comparada e planejamento gráfico de Comunicação Social da Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru, Alexandra Bujokas afirma que identificar plágio de trabalhos de alunos já faz parte do cotidiano. “Principalmente nos primeiros anos de faculdade. Depois o aluno fica mais atento a isto”, afirma.

Esta é uma prática, segundo a professora, que ocorre tanto em trabalhos teóricos quanto práticos e também em monografias. “É mais comum em trabalhos de texto, mas também ocorre em disciplinas como fotografia, por exemplo”, afirma. “Houve o caso de uma aluna que não conseguiu fazer a fotografia com os recursos exigidos pela professora e tirou uma foto da foto.”

Desde que de uma turma de 35 alunos identificou dez trabalhos plagiados, Bujokas mudou suas atividades. A professora dava temas sobre os quais os alunos tinham que refletir e trazer desenvolvidos para a sala de aula. Atualmente ela trabalha com interpretação de dados fornecidos por ela mesma em sala de aula. O aluno faz o trabalho em casa, mas a partir de dados já estipulados.

Os trabalhos exigidos a cada semestre também mudaram. Isto para evitar que os alunos copiem de alunos que já passaram pela disciplina no semestre anterior. No caso de monografias, Bujokas exige que o aluno desenvolva o trabalho a partir da fundamentação teórica indicada por ela, como orientadora. “Se o aluno chega com uma outra fundamentação teórica, já é suspeito, eu não aceito.”

Segundo a professora, para evitar o plágio nos trabalhos acadêmicos é preciso seguir dois passos básicos. Primeiro, “o aluno tem que cumprir o que é determinado pelo orientador, não pode deixá-lo livre para fazer da forma que ele quiser, porque senão ele vai copiar”.

O segundo passo é que o professor tem de acompanhar cada etapa do percurso que o aluno fez para chegar ao trabalho final. “Isto, porém, só é possível quando a faculdade oferece estrutura de trabalho, não adianta culpar o professor, se ele tiver que orientar uma turma inteira com monografia, por exemplo”, afirma.

Prova

O professor de Laboratório de Jornalismo Impresso e Método e Técnica de Pesquisa em Comunicação Social, da USC, Danilo Rothberg também passou a tomar algumas medidas para evitar que os alunos plagiassem trabalhos. As reportagens jornalísticas, por exemplo, têm de ser gravadas e a transcrição da fita entregue junto com a matéria.

Em caso de plágio, o aluno é punido com nota zero. O professor também substituiu os trabalhos teóricos por provas, embora considere que pedagogicamente são menos eficientes. “Tento aplicar provas que não se restrinjam à memorização de dados. Elaboro provas que exijam mais a capacidade de articulação de idéias do aluno e permito prova com consulta”, afirma.

Com essas regras, que são apresentadas por escrito para os alunos no primeiro dia de aula, o professor afirma que os plágios tornaram-se raros. Há praticamente um ano não registra nenhuma ocorrência em suas disciplinas.