08 de julho de 2026
Nacional

Grupos de extermínio voltam à cena

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Uma velha tática de ação de grupos de extermínio voltou à cena desde a sexta-feira da semana passada, quando começou a onda de violência no Estado de São Paulo: usando toucas “ninjas” e blusões pretos, assassinos mataram pelo menos 20 pessoas até anteontem na Capital e Grande São Paulo.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública, essas mortes não têm ligação com os recentes confrontos entre as forças de segurança e supostos integrantes do PCC. Em pelo menos dois casos, testemunhas viram os assassinos saindo de carros da Força Tática da PM (espécie de grupo de elite). Nessas duas situações, a secretaria orientou que as famílias formulassem denúncias na Ouvidoria da PM.

Em um dos casos, as testemunhas afirmam ter visto dois homens com toucas e blusões pretos saírem de uma Blazer da Força Tática e assassinarem, com tiros na cabeça e no pescoço, Wesley Eduardo Barbosa, 18 anos, e um amigo. O crime ocorreu na madrugada de domingo no Capão Redondo, na zona sul. O outro caso aconteceu na segunda à noite. Moradores do conjunto habitacional Filhos da Terra, na zona norte, dizem que viram pelos menos seis homens descerem de um veículo da Força Tática da PM e matarem Ricardo Flauzino, 22 anos, que esperava a namorada na entrada no conjunto.

O carro teria a identificação M-3074. Depois da execução, afirmam os moradores, os policiais foram até o carro, tiraram as máscaras e os blusões e, em seguida, de farda, reapresentaram-se aos moradores. Ofereceram ajuda para levar o jovem ao hospital, onde ele morreu, e recolheram as cápsulas.

No domingo à noite, cinco rapazes foram mortos por três homens mascarados em uma esquina de São Mateus, zona leste. Menos de dez minutos depois do crime, um veículo da PM parou no local. Logo vieram outros - o M-38203, o M-38302, os carros da Força Tática prefixos 38020 e 30011. Sem esperar pela perícia, de acordo com os moradores, os PMs recolheram as cápsulas espalhadas no local da chacina e iniciaram a remoção dos corpos de Fernando da Silva Rodella, 29 anos; Robson de Souza, 21 anos; Ivan Ramos Ferreira de Moura, 23 anos; Edilson Pedro de Souza, 29 anos; Danilo Lopes Rissi, 21 anos.

Os moradores estranharam a rapidez com que a polícia chegou ao local, a presteza com que promoveu a remoção dos corpos e até a lavagem da calçada, que estava cheia de sangue. O Boletim de Ocorrência n.º 1.643 informa apenas que “a autoridade policial compareceu ao local, não sendo possível obter qualquer informação sobre a autoria do delito ora investigado, bem como constatou que o local encontrava-se prejudicado para perícia”.