Bagdá - Após cinco meses de impasse, o Parlamento iraquiano aprovou ontem o primeiro governo permanente do pós-guerra no país. Mas o governo de unidade nacional, que se inicia com o desafio de pôr fim à escalada de violência sectária e da insurgência no Iraque, tem para as pastas ligadas à segurança ministros interinos, pois não houve acordo nas suas indicações.
Todos os 39 ministros indicados pelo premiê Nouri al Maliki - divididos entre árabes sunitas, árabes xiitas e curdos - foram aprovados individualmente pelos parlamentares e em seguida tomaram posse. Interinamente, o Ministério do Interior, que é responsável pela polícia, será ocupado pelo próprio premiê.
O vice-premiê árabe sunita Salam al Zubaie será por enquanto o ministro da Defesa, que controla o Exército. Já o vice-premiê curdo Barham Saleh ocupará o Ministério de Segurança Nacional temporariamente. À frente da Chancelaria está o curdo Hoshyar Zebari. O xiita Hussein al Charhistani ocupará a estratégica pasta de Petróleo. Há três mulheres entre os novos ministros. O programa de governo de Maliki, com 34 pontos, também foi aprovado pelo Parlamento hoje.
Em seu primeiro discurso, o premiê disse que faria da restauração da estabilidade e da segurança sua prioridade. Maliki afirmou ainda que estabeleceria um cronograma objetivo para a transferência de toda a missão de segurança para forças iraquianas, terminando a participação das forças multinacionais. “Vamos trabalhar em um sistema que irá preservar a unidade do povo iraquiano”, declarou.
“É um dia histórico para o Iraque e seu povo. É a primeira vez que um governo permanente democraticamente eleito é formado no Iraque desde a queda do antigo regime. Esse governo representa todos os iraquianos”, disse o vice-porta-voz do Parlamento, Khalid al Attiyah. “Esse governo irá purgar o Iraque das forças malignas, permitindo que se torne novamente independente e próspero”, disse o presidente Jalal Talabani.