Nos bairros periféricos de Bauru, é comum ver casas apenas no tijolo, com materiais de construção à espera da próxima etapa. A concretização da casa própria é desejo primordial daqueles que ganham muito pouco para pagar aluguel.
A diarista Kelly Any Assis, 34 anos, comenta que morou em uma casa alugada no Jardim Solange desde que se casou com o auxiliar de pedreiro Júlio César Santos, 35 anos, há oito anos, e que quase metade do salário dos dois ia parar nas mãos do proprietário do imóvel. “Somando, a gente ganhava cerca de R$ 400,00. E pagava R$ 150,00 de aluguel. Ainda tinha luz, gás, comida, transporte, água. Não dava pra viver não”, afirma.
Com o auxílio financeiro do pai de Júlio e o mutirão com amigos e familiares, o casal ergueu uma casa com quarto, banheiro, sala e cozinha. “A casa é menor do que a que a gente morava, mas é nossa. Agora estamos pagando meu sogro”, diz Assis.
No Jardim Silvestre, Valdecir Elias Soares, 42 anos, “faz tudo”, como ele mesmo define seu ofício, foi, aos poucos, com o auxílio dos filhos e dos cunhados, erguendo as paredes de um sonho que demorou para se concretizar. “Morei muito tempo de aluguel. Sem casa própria não somos nada. Estou realizando meu grande projeto de vida”, afirma.
Pedreiro, pintor, encanador. Soares desempenhou o trabalho de todos estes profissionais para transformar a renda de alguns bicos em moradia. Os materiais para a construção foram comprados em ritmo bastante lento. Três anos depois, ele fala com orgulho da casa de dois quartos, cozinha, sala e banheiro. “Meus seis enteados já estão casados. Pra mim e pra minha mulher já é um ‘casão’”, frisa.