A prática de exercícios para estimular as funções motoras e sensoriais dos bebês deixou de ser uma técnica usada apenas para aqueles que nascem prematuros e passou a ser aplicada na estimulação motora de todos os bebês. O principal argumento usado pelos especialistas para submeter os pequenos à prática de atividades físicas é a falta de espaço em casa e a correria que os pais da criança enfrentam no dia-a-dia.
“As casas estão menores, os pais trabalham fora e a criança fica presa ao “chiqueirinho’, ao berço ou ao carrinho. Isso a deixa completamente limitada”, explica a pedagoga e psicóloga Maria Drumond Grupi, diretora de uma escola infantil em São Paulo que tem berçário especializado.
É com o mesmo propósito que o psicomotricista Sérgio Nacarato atende semanalmente os bebês do berçário de outro colégio paulistano. Segundo ele, as atividades têm o objetivo de possibilitar o desenvolvimento pleno da criança, estimulando o equilíbrio, a coordenação, a sensibilidade e o reflexo.
“São atividades prazerosas, sem esforço para o recém-nascido, respeitando o seu desenvolvimento natural. Não vamos fazer o bebê andar antes da hora, mas também não podemos deixá-lo limitado a um quadrado”, afirma.
Uma escola paulistana, por exemplo, adaptou uma área externa pensando nos desafios corporais da criança. O chão é irregular, com texturas diferentes, como terra, grama e areia, e há obstáculos a serem superados. “No local tem um lago e uma pequena ponte. Eles têm de aprender a subir a escada da ponte, por exemplo”, explica a coordenadora pedagógica Ana Lúcia Figueira da Silva.
Para o pediatra Roberto Tozzi, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, todo o esforço dedicado ao desenvolvimento motor da criança é válido, desde que seja feito com técnica adequada. “Essas atividades sempre foram realizadas com sucesso para os bebês prematuros ou com algum tipo de deficiência. O trabalho foi adaptado para todos os bebês. Os resultados são bons.”
Denise Trevisol, fisioterapeuta neonatal do Centro de Atendimento Integrado à Saúde da Mulher da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também é favorável aos exercícios, para que o bebê não fique restrito ao berço. “Se isso acontecer, qual é o estímulo que ele tem?”
Já a pediatra Laís Maria Santos Valadares e Valadares, presidente da Associação Mineira para o Estudo do Bebê, não concorda com a realização de atividades motoras para todas as crianças. “O bebê que não nasce com deficiência não precisa ser estimulado. O excesso de estímulo pode colocá-lo em uma situação de estresse.”
*Fernanda Bassette