11 de julho de 2026
Saúde

Ministério da Saúde investe em pesquisas de doenças negligenciadas

Agência Saúde
| Tempo de leitura: 3 min

Nos países desenvolvidos, doenças como leishmaniose, dengue, tuberculose e hanseníase não representam mais risco para a saúde pública. Essas nações não investem mais em pesquisas voltadas ao tratamento dessas patologias. No entanto, em países pobres ou em desenvolvimento, essas doenças ainda causam preocupação às autoridades de saúde e provocam demanda de investimentos em estudos científicos. Para combater as chamadas doenças negligenciadas, o Ministério da Saúde, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vai investir R$ 20 milhões – em 2006 e 2007 – em pesquisas científicas.

Os recursos servirão para pesquisas de malária, doença de Chagas, dengue, leishmaniose, tuberculose e hanseníase. Por não fazerem parte do grupo de enfermidades mais incidentes no mundo, as doenças negligenciadas também ficam excluídas da lista de patologias que afligem apenas 10% da humanidade e, apesar disso, consomem 90% dos recursos de pesquisa em Saúde, de acordo com o Fórum Global de Saúde.

“Como não há investimento significativo em pesquisa científica por parte da indústria farmacêutica internacional, resta aos países em desenvolvimento tomar frente nesses estudos”, explica a diretora do Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde, Suzanne Serruya. “O Brasil tem o privilégio de contar com pesquisadores nessa área; por isso, tem mais chances de produzir conhecimento para promover o controle dessas doenças”, observa.

O esforço nacional no estudo de doenças negligenciadas coloca o Brasil na lista de Países em Desenvolvimento Inovadores (IDCs), da qual também fazem parte China, Índia e África do Sul. Estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Médicos Sem Fronteiras, do Fórum Global para Pesquisas em Saúde e de outras entidades engajadas no tema mostram que as populações desses países ainda não dispõem de intervenções sanitárias eficazes contra as doenças negligenciadas. Esse cenário reafirma a necessidade de se investir ainda mais em pesquisas relacionadas a esses problemas de saúde.

Exclusão

Em 1990, o Fórum Global de Saúde apontou o chamado “Hiato 10/90”. O termo se refere a um conjunto de doenças que atingem apenas 10% da humanidade e recebem 90% dos investimentos para estudos e pesquisas científicas. As doenças negligenciadas estão fora deste grupo.

Com o financiamento de pesquisas nessa linha, o Brasil se coloca na dianteira do grupo de nações interessadas em estudar patologias que ainda merecem atenção dos governantes, principalmente na América do Sul.

De acordo com Suzanne Serruya, as seis doenças que integram os editais foram escolhidas por terem mais incidência no País e apresentarem maior carga de debilitação, ou seja, os pacientes acometidos por elas ficam impedidos durante certo período de executar suas atividades habituais.

Ainda segundo Suzanne Serruya, o principal objetivo das pesquisas é aumentar o conhecimento sobre as doenças e, conseqüentemente, oferecer melhor qualidade de vida à população. “O Brasil já pensa em estabelecer parcerias com países da América do Sul e da África para produzir vacinas e medicamentos que combatam as doenças negligenciadas”, adianta Serruya.

Entre 2004 e 2005, o Ministério da Saúde investiu cerca de R$ 16,2 milhões no tratamento dessas doenças. As pesquisas serão feitas por representantes de instituições de pesquisa científicas, universidades, governos e outras autoridades no assunto.

A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE), do Ministério da Saúde, promoveu, durante a primeira semana de abril, oficinas de trabalho para discutir a elaboração de editais públicos que orientarão a metodologia das pesquisas. A chamada pública para início dos estudos está prevista para este semestre.