07 de julho de 2026
Geral

Preparação

Érika Pelegrino
| Tempo de leitura: 1 min

É cruel, mas acontece. As crianças mais velhas que ainda estão nas instituições, muitas vezes já passaram por alguns lares e foram “devolvidas”. Esta realidade, ao contrário do que possa parecer num primeiro momento, não comprova que quanto mais velhas seja mais difícil a adaptação a um novo lar. O psicólogo Mário Lázaro Camargo, autor do livro “Adoção Tardia: Mitos, Medos e Expectativas”, cita o caso de uma criança que foi adotada aos 7 anos com sucesso, depois de ser devolvida por outras famílias.

“Nestes casos não podemos de forma alguma responsabilizar a criança. Os pais que postulam a adoção é que devem passar por um processo de preparação”, afirma. Camargo explica que isto pode acontecer quando a motivação do casal para a adoção de um filho é inadequada.

Muitas famílias, segundo ele, buscam substituir um filho que morreu, estabilizar o casamento, preencher um espaço vazio deixado pelos filhos já criados. “As famílias precisam entender que estas expectativas precisam ser trabalhadas do ponto de vista psicológico, porque serão, muito provavelmente, projetadas sobre a criança. E a adoção não serve para isso”, afirma.

A adoção não pode ser entendida, de acordo com o psicólogo, como um mecanismo para sanar uma necessidade emocional dos adotantes. “Temos de entender a adoção como relação de troca onde todos ganham, inclusive a sociedade, porque não há mais a necessidade da instituição e diminui o número de crianças que perambulam pelas ruas. Eu diria que há uma cadeia de situações que passam a ser modificadas com a transformação da cultura da adoção e quando as famílias compreendem que é um recurso interessante para a constituição familiar.”