São Paulo - Em resposta não só à violência, 1,5 milhão de paulistanos, em números da SP Turis, assistiram a filmes, peças de teatro, dançaram todo tipo de música e fizeram coro para dizer que São Paulo não é um lugar para covardes. Às 11horas de ontem, a segunda edição da Virada Cultural já superava o público da primeira, realizada em novembro.
A maratona começou às 18h de sábado, com o encontro entre João Bosco e Banda Mantiqueira no palco montado no Vale do Anhangabaú e terminou às 18h de ontem, com show apoteótico de Luiz Melodia no Parque da Independência, acompanhado por 4 mil pessoas. Entre a primeira e a última atração, foram 600 atividades, espalhadas por toda a cidade, principalmente pelos sete palcos do centro. Nesse intervalo de 24 horas nenhuma ocorrência policial foi registrada, como na primeira Virada, de acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar.
Com shows em mais de 110 pontos da cidade, a madrugada da 2.ª Virada Cultural de São Paulo oscilou entre sucessos e fracassos, dependendo da região onde se estava. No centro da cidade, região que concentrou a maioria dos eventos gratuitos, milhares de pessoas saíram às ruas. Em regiões mais afastadas e com atrações ao ar livre, porém, o medo levou o público mais cedo para casa.
O motivo: os recentes ataques do grupo PCC. Por volta das 3h de ontem, em uma apresentação musical na Praça de Eventos em Guaianases (zona leste), apenas 30 pessoas estáticas prestigiavam o samba de Dario Ribeiro. “Nós ainda estamos muito assustados, só vim porque sou apaixonada pelos garotos da banda Atitude 4”, diz a vendedora Priscila Tânia, 20 anos.
Em Guaianases as apresentações tiveram até 4 mil pessoas circulando às 22h. Depois da meia-noite, porém, os moradores da região voltaram para suas casas. “Ainda temos medo por causa dos assassinatos do PCC, se eu não morasse perto do palco nem viria”, completa Tânia.
No geral, a zona leste, região afastada do centro que reuniu o maior número de atrações, concentrou a agenda cultural para o período diurno. Além de Guaianazes e Penha, os únicos endereços com eventos de madrugada foram locais fechados (Centro de Esporte e Lazer JK e Centro de Esporte e Lazer André Vital).
Por outro lado, praticamente no mesmo horário, faltou ingresso (de R$ 15,00) para quem foi ao Sesc Pompéia (zona oeste) para ver os pernambucanos do Mombojó. Requisitado e mesmo com o preço não tão popular, o espetáculo esgotou rapidamente os 800 lugares. Quem não conseguiu entrar ficou com a declamação de poesia que acontecia na parte externa do Sesc, feita por Marcos Damigo. “O clima aqui está perfeito, as pessoas estão alegres”, disse Damigo após dizer alguns versos inspirados no Augusto dos Anjos, no cronista Sylvio Floreal e em seu bisavô. No centro, a animação do público também estava grande.
A Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal reforçaram o policiamento da Virada Cultural depois dos 299 ataques do crime organizado que decretaram um toque de recolher informal em São Paulo. Segundo a PM, não houve ocorrências graves durante a Virada até agora. O único caso aconteceu por volta das 23h, na zona leste, quando um guarda da GCM foi agredido ao tentar proibir a venda de bebida alcoólica.
Contra a corrupção
Cerca de 800 pessoas realizaram ontem à tarde uma manifestação contra a corrupção em São Paulo. De acordo com a Polícia Militar, o grupo se reuniu na Praça Osvaldo Cruz e saiu em passeata até a Assembléia Legislativa. Os manifestantes percorreram a avenida Brigadeiro Luís Antonio até a avenida Paulista, bloqueando totalmente a via.
No Rio, munidos de apitos e narizes de palhaço, cerca de 200 pessoas fizeram passeata ontem na Cinelândia em defesa da “dignidade nacional”. O evento, que ocorreu em 22 cidades simultaneamente, começou a tomar forma no site de relacionamento Orkut e foi motivado no “cenário político do País, em surge um novo escândalo por semana”, nas palavras da estudante de direito Glauce dos Reis, 22 anos, uma das organizadoras.
*Com Folhapress e AE