11 de julho de 2026
Nacional

Lembo afirma que lealdade tucana durante onda de violência demorou para aparecer

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - O governador de São Paulo, Cláudio Lembo, evitou ontem dar continuidade à crise entre o PSDB e o PFL, mas não poupou tucanos como o ex-governador Geraldo Alckmin e o ex-prefeito José Serra de críticas indiretas de que teria ficado praticamente sozinho durante a onda de violência que atingiu o Estado nos últimos dias.

“No mundo sempre tem falta (de lealdade). A todo momento, mas, felizmente, a semana passada passou”, disse Lembo. “Ela (lealdade) sempre demora para chegar em determinadas pessoas. Quanto mais desenvolvida intelectualmente a pessoa, mais a lealdade demora a chegar”, reiterou. Lembo, no entanto, não quis responder se no PSDB haveria muitos intelectuais. Sobre os elogios que recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador comentou: “Elogio é sempre bom. Eu sou amigo do presidente Lula desde 1978”.

Lembo confirmou ter recebido Alckmin e Serra em audiências anteontem no Palácio dos Bandeirantes e elogiou ambos como figuras políticas muito distintas e de grande capacidade. O governador disse que suas relações com o PSDB estão “ótimas”, mas não deixou de fazer uma última crítica. “Houve ausência, talvez, de mais diálogo”, afirmou.

O presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), negou que a aliança com o PSDB esteja com mais dificuldades do que em anos anteriores e disse que agora as negociações devem avançar nos Estados.

“Esse entendimento (nos Estados) não é simples. Pode haver sempre alguns conflitos entre lideranças locais.” Lembo se reuniu ontem, no Palácio dos Bandeirantes, com o presidente do PFL e lideranças do partido, como o líder na Câmara, Rodrigo Maia (PFL-RJ), o pré-candidato à vice-Presidência, senador José Jorge (PFL-PE), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, e o senador Marco Maciel (PFL-PE), entre outros.

Alckmin

O pré-candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin, negou a existência de uma crise entre o PSDB e o PFL. O clima entre os dois partidos ficou pesado após a onda de violência que atingiu São Paulo.

Alckmin foi criticado por integrantes do PFL por, segundo eles, ter mantido distância do assunto e por ter afirmado que aceitaria a ajuda do governo federal para combater o crime. Essa declaração teria desagradado o governador Cláudio Lembo, que rejeitou o envio da Força Nacional de Segurança para São Paulo.

“Não há nenhum problema a ser superado”, disse Alckmin ontem em São Paulo.

“Eu falo com o Lembo todo dia. O que eu não faço é interferir no governo.” Alckmin aproveitou o encontro para criticar o governo federal. “São Paulo tem um problema que é o fato de ter quase metade da população carcerária do País”, respondeu ele ao ser questionado sobre a onda de violência.

Ele afirmou que construiu penitenciárias de segurança máxima em seu governo e que houve queda na taxa de homicídios tanto na Capital como no Estado durante sua gestão.

Alckmin negou que o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), tenha dito que ele não tem carisma. “A campanha está indo muito bem. Eu nem imaginava ter 20% (de intenção de voto) sem televisão.” Ele afirmou que a segurança pública será o tema central de seu programa e que se for eleito vai tornar a legislação contra o crime organizado mais rigorosa e investirá mais no policiamento da fronteira.