09 de julho de 2026
Nacional

Mulheres chefiam mais domicílios

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Rio de Janeiro - Os domicílios chefiados por mulheres aumentaram quase 37% em quase dez anos, passando de 18,1% para 24,9%, segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Gênero (SNIG), elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão ligado à Presidência da República, a partir de microdados dos Censos 1991 e 2000.

Geograficamente, esse aumento do número de mulheres chefiando domicílios foi generalizado. No caso das mulheres brancas, o aumento foi de 1,5 ponto percentual no período - de 53,6% para 55,1%. Já entre negras ou pardas, o quadro foi inverso. Neste caso, houve redução da participação das mulheres na chefia feminina de quase dois pontos percentuais - de 45,5% para 43,4%.

O levantamento mostra ainda que os domicílios chefiados por mulheres apresentaram as melhores condições de saneamento básico.

Segundo o IBGE, a partir de 1990 o acesso ao serviço de abastecimento de água cresceu significativamente. De 1991 para 2000, a proporção de domicílios particulares permanentes abastecidos com água canalizada por rede geral passou de 64,9% para 78%. Quando somados os domicílios que possuem abastecimento de água por poço ou nascente, o percentual chega a 88,2%. Já a oferta de serviço de esgotamento sanitário, não acompanhou esta evolução.

Segundo os dados do Censo, foi possível verificar que os domicílios chefiados por mulheres tinham indicadores de acesso à água tratada (por rede geral) melhores que aqueles chefiados por homens. Em 1991, a proporção de domicílios chefiados por mulheres que tinham água canalizada por rede geral era de 72,1%, enquanto em 2000, essa proporção atingiu 85,9%. Entre os homens, esses percentuais eram de 63,3% e 75,3%, respectivamente.

Considerando o acesso ao serviço de esgotamento sanitário, os indicadores também melhoraram a partir da década de 1990, mas em 2000, apenas 62,7% dos domicílios particulares permanentes dispunham deste serviço. Neste período, as microrregiões com os maiores percentuais de domicílios chefiados por mulheres que tinham esgotamento sanitário chegavam a quase 30%, enquanto nos chefiados por homens, o percentual era de 22,5%.

Em relação à coleta de lixo, também se observa uma melhor situação dos domicílios chefiados pelo sexo feminino. Em 2000, 82% destes domicílios contavam com o serviço de coleta direta de lixo, enquanto entre os homens, essa proporção era de 72%.

“Uma possível explicação para os domicílios chefiados por mulheres terem melhores condições de saneamento é o fato de as mulheres serem mais atentas quanto aos aspectos que interferem nas condições de saúde e higiene da família”, informou o IBGE.

Salário

Os indicadores de rendimento ainda revelam desigualdades de sexo e cor no mercado de trabalho brasileiro. Apesar de mais escolarizadas do que os homens, as mulheres recebiam, em média, cerca de 70% do rendimento dos homens há seis anos.

“No Brasil as conquistas das mulheres foram enormes nas últimas décadas. Uma delas, importantíssima, foi o acesso à educação. A universalização do ensino básico e fundamental beneficiou em especial as mulheres. Hoje, por exemplo, quase 64% dos que concluem o ensino superior são mulheres”, afirmou a ministra de Política para as Mulheres, Nilcéa Freire, que participou da divulgação da pesquisa do IBGE.

Na avaliação da ministra, o aumento da escolaridade entre as mulheres ainda deverá demorar um certo tempo para produzir um impacto no mercado de trabalho.

“Levará ainda algum tempo para se reproduzir no mercado de trabalho o mesmo fenômeno que se produziu na educação. No entanto, outras variáveis também influenciam a situação das mulheres no mercado de trabalho. Não é só uma questão do acesso. É aí que se evidencia mais claramente a questão do preconceito, da discriminação. É o chamado teto de vidro, onde as mulheres chegam até determinado ponto nas suas carreira e daí para frente não progridem mais. Isso faz com que, na média, os salários das mulheres seja inferior ao dos homens.”

O setor doméstico é o que mais emprega as mulheres, quase um terço delas, segundo a pesquisa.

Este também é o serviço que mais emprega os migrantes do Nordeste. Como empregadas domésticas, ganham mais no Sudeste. Jaciene da Silva, 31 anos, saiu de Salvador, na Bahia. “Fiquei espantada, porque quando cheguei aqui soube que tinha direito a férias, folga. Lá não tem nada disso.” Jaciene ganha dois salários mínimos, o dobro do que recebia antes. “Mulher não pode mais ficar sem trabalhar”, afirma.