Reginópolis - Morreu na manhã de ontem no Hospital de Base de Bauru, o presidiário Cledivanio dos Santos Correia, 26 anos. Ele foi atingido por um tiro na cabeça, na última quinta-feira, durante a revista das celas da da P1 de Reginópolis (70 quilômetros de Bauru).
A morte é a primeira registrada em Bauru e região relacionada ao conflito travado entre as polícias e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O tiro que atingiu Correia, segundo informações da Polícia Militar, que apoiou a ação, foi de borracha disparado de uma distância de 15 metros.
A reação policial, segundo o comandante interino do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Airton Troijo, fez-se necessária diante da situação criada por três detentos, quando os policiais faziam a guarda para que os agentes fizessem a revista nas celas.
De acordo com ele, três detentos se insuflaram contra os PMs. “Foram disparados tiros de borracha. Para este tipo de situação, o mais indicado é o uso de munição de borracha. Evita-se o uso de armas letais.”
Normalmente, segundo Troijo, a bala de borracha bate e volta, não penetra. Porém, neste caso específico, ela provocou ferimentos graves que exigiram a internação do preso na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital de Base desde a noite da última quinta-feira.
Apuração
O comandante disse ontem que assim que soube da morte mandou instaurar um inquérito policial militar para apurar todos os fatos. “A ação foi efetuada pelo pelotão de choque. Nele há um comando e três atiradores.” Para o major, se houve algum excesso isso ficará provado no inquérito. “Os envolvidos responderão pelos fatos.”
A Polícia Civil instaurou ontem, também um inquérito para apurar o autor do disparo que culminou na morte do preso. Segundo o delegado da cidade, Adriano Crês, já foi requisitada a perícia técnica das armas e o laudo do IML.”
As P1 e P2 de Reginópolis se rebelaram na manhã de sábado. Sete agentes foram feitos reféns nas duas unidades - dois agentes da P1 e cinco na P2. O movimento acabou na segunda-feira. Na quinta, agentes penitenciários apoiados pelos militares promoveram revistas nas celas.
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Causa da morte
Segundo o coordenador do Instituto Médico Legal (IML) de Bauru, Ivan Segura, a causa da morte do presidiário foi um trauma craniencefálico. “Ele sofreu uma fratura de crânio que pode ter sido provocada por um tiro de borracha, porém não temos como provar que foi o projétil que provocou a fratura.”
Segura garantiu que a arma não era de fogo. “Não há perfurações e sim fratura. Não tem nenhuma característica de uso de arma de fogo.” O tiro de borracha, segundo o médico legista, também pode matar, depende do local que ele atingir.
Para o perito de balística do Instituto de Criminalística de Bauru, Flávio Figueroa, a diferença entre o projétil de chumbo e o de borracha é o impacto. “O impacto do projétil de chumbo é bem maior do que o de borracha.”
De acordo com o perito, o projétil de chumbo bate no corpo da pessoa e penetra enquanto o de borracha não tem força de penetração. Outra diferença apontada por Figueroa é o diâmetro do projétil. “O projétil de borracha tem diâmetro bem maior do que o de chumbo.”
O especialista lembra que os tiros de borracha são utilizados para retirada de pessoas. “Os tiros de borracha provocam lesões graves em situações extremas. Se atingir o olho, por exemplo.”