10 de julho de 2026
Internacional

Ações dos EUA matam 285 em cinco dias no Afeganistão

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Cabul - Bombardeios de aviões dos EUA no sul do Afeganistão deixaram pelo menos 97 mortos até ontem, dos quais 17 são civis, segundo autoridades locais. Os outros 80 são supostos militantes do Taleban. A ação, iniciada na noite de anteontem na vila de Azizi, visava alvos do Taleban e atingiu uma escola religiosa e casas. Foi um dos piores ataques desde a invasão do país pelos EUA, em 2001.

Um comunicado das forças estrangeiras no Afeganistão relatou a morte de 20 membros do Taleban e afirmou que ainda havia mais 60 mortes a confirmar. Autoridades afegãs anunciaram as mortes de 17 civis. Feridos, incluindo mulheres e crianças, foram levados para um hospital em Kandahar. A mãe de um bebê de oito meses ferido na ação afirmou ter visto mortos por toda parte.

O comandante das tropas dos EUA, general Karl Eikenberry, afirmou que estava sendo apurado o motivo de civis também terem morrido. Com o ataque de ontem, o número de mortos desde a última quarta-feira, entre militantes, soldados afegãos e estrangeiros e civis, chegou a 285.

Ataques sazonais

Nesta época do ano, é comum que cresçam os ataques de insurgentes no Afeganistão, conforme derrete a neve nas montanhas ocupadas por eles, mas a intensidade das ações e reações está maior neste ano. Milhares de soldados da Otan (aliança militar ocidental) já foram mandados para o sul do país, que concentra os remanescentes do Taleban. Desde julho passado, a aliança assumiu o comando das forças estrangeiras nessa região, em substituição aos EUA.

Segundo Eikenberry, há mais militantes e traficantes de drogas no sul do Afeganistão neste ano. Ele disse que quase todos os últimos confrontos com a insurgência foram iniciativa da Otan e das tropas afegãs. O general estima em várias centenas as mortes de membros do Taleban nas últimas semanas.

Tanto o governador de Kandahar, Asadullah Khalid, como um porta-voz das forças dos EUA culparam o Taleban por mortes de civis, alegando que os militantes se escondem em casas, mas o americano se disse certo de que o bombardeio atingiu um complexo do grupo.

Um dos feridos afirmou que militantes haviam se escondido numa escola religiosa, fugindo de confrontos nos últimos dias, e que, com os bombardeios, tentaram se abrigar em casas. Zurmina Bibi, a mãe do bebê ferido, disse que cerca de dez pessoas haviam morrido em sua casa, incluindo até quatro crianças. Jornalistas não puderam entrar em Azizi.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, havia pedido no mês passado que as tropas dos EUA tivessem cuidado ao atacar o Taleban em áreas residenciais. O pior incidente com civis ocorreu em julho de 2002, com 48 mortos e 117 feridos em bombardeio a um casamento.

Acusações

Anteontem, o chanceler do Afeganistão, Rangeen Dadfar Spanta, afirmou que líderes do Taleban estão no Paquistão e comandam ações desde o território vizinho. O Ministério de Relações Exteriores paquistanês respondeu dizendo que seu país não pode ser culpado e que os afegãos não conseguiam lidar com a situação de segurança.