A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) do Ministério da Ciência e Tecnologia vai contemplar empresas públicas e privadas de Bauru, além de entidades assistenciais, que tenham interesse de pôr em prática propostas voltadas à inovação tecnológica.
O financiamento tem o propósito de bancar toda a estrutura necessária à viabilização do programa, antecedendo, dessa forma, o custeio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que só é concedido na fase industrial do projeto.
Os investimentos em consultoria, tecnologia importada, laboratórios, matéria-prima, certificação, patente, aquisição do primeiro lote de mercadorias e até contratação de mestres, doutores e pesquisadores, estão incluídos no financiamento.
“A Finep tenta identificar, em todo País, empresas que tenham vocação para inovação tecnológica. Hoje, o empreendimento que não optar por essa iniciativa está fadado, em curto prazo, a desaparecer”, diz José Roberto Arruda Silveira, analista de projeto da Finep.
As visitas às empresas de Bauru começaram ontem. Até sexta-feira, cinco instituições que apresentaram interesse devem receber os agentes da financiadora. Os analistas também já estiveram em São Carlos, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.
De acordo com Silveira, qualquer empresa pode solicitar o financiamento através de uma carta-proposta que deve ser preenchida pela Internet no site da instituição (www.finep.gov.br).
A amortização do financiamento é exigida apenas a empresas privadas. As públicas se beneficiam dos empréstimos não reembolsáveis. Silveira informa que os juros do empréstimo podem chegar até 14% ao ano, porém, a média aplicada não ultrapassa os 10%.
Esse percentual pode ser minimizado significativamente, segundo o analista, se o projeto se enquadrar a algumas exigências do governo. A principal delas seria a contratação de mestres e doutores para a elaboração e execução da proposta.
A liberação do recurso ocorre em um período que varia de quatro a seis meses. Após a consulta prévia do projeto, uma análise do mérito da inovação tecnológica é procedida. Se aprovado, o pedido do financiamento deve ser feito em seguida. Conforme Silveira, a empresa pode ter até três anos de carência para começar a pagar o crédito e sete anos para concluir toda a amortização.
“Um projeto avaliado em menos de R$ 100 mil torna-se antieconômico por conta dos custos burocráticos, que incluem certidões, avaliações e laudos. O teto para o financiamento varia de acordo com a proposta. Se a empresa tem garantias, patrimônio e fluxo de caixa suficiente para bancar um crédito vultoso, a Finep disponibiliza”, ressalta.
Segundo o analista, o orçamento da Finep neste ano é de R$ 1,2 bilhão para contemplar projetos reembolsáveis e não reembolsáveis em todo País. A financiadora, conta ele, bancou algumas propostas na ordem de R$ 300 milhões, como foram os casos da criação da Embraer e da Nucleobras.
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Interesse
Cinco empresas de Bauru demonstraram interesse em receber a visita dos analistas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para a avaliação de seus projetos. O empresário Airton Caetano, dono de um empreendimento de informática em Bauru, aguarda a aprovação de sua proposta, que consiste em um projeto de software para comunicação na Internet orçado em R$ 200 mil.
“É um financiamento vantajoso porque os juros são baixos e, em alguns casos, chegam a ser negativos”, avalia Caetano, que também é diretor técnico da regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Bauru.
A Sorri também recebeu a visita dos técnicos da Finep ontem, que se reuniram com a diretora Elizabete Nardi.