A violência que o Estado de São Paulo sofreu ainda reflete no dia-a-dia de policiais e população, mas na avaliação do tenente e presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo (Apomi), Dirceu Cardoso Gonçalves, as medidas emergencias, agora, devem ser destinadas a diminuir os “efeitos” da crise. Para ele, o estudo das “causas” da criminalidade viriam em um segundo momento. “Temos que primeiro restabelecer a ordem combatendo os efeitos”, afirma. As duas principais apontadas por ele dariam maior autonomia aos delegados da Polícia Civil.
Ele defende que em um período que duraria aproximadamente 180 dias - enquanto as investigações estiverem em andamento - os delegados tenham poder de emitir mandados de busca e apreensão e de decretar prisão temporária de suspeitos - atualmente a decisão é do juiz. “Nesse momento, é importante o Estado agir com força no desmantelamento da estrutura criada pela facção criminal Primeiro Comando da Capital (PCC) dentro e fora dos presídios”, diz. “Com esse poder, a investigação será muito mais ágil”, acredita.
Na opinião do presidente da associação, as 109 mortes - entre população, policiais e presos - poderiam ter um número muito maior se os Governo não tivesse transferido os 765 detentos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau, transformada em uma prisão especial para os membros da facção criminosa.
Entre os transferidos estava Marcos Willians Herbas Camacho, 38 anos, o Marcola, apontado como o líder do grupo. Os ataques às forças de segurança, segundo o governador Cláudio Lembo (PFL) e seus secretários Saulo de Castro Abreu Filho (Segurança Pública) e Nagashi Furukawa (Administração Penitenciária), foram represálias às transferências dos presos.
“Quando foi levantado que os presos pretendiam fazer uma megarrebelião, teríamos milhares de mortos. Todos os presos de facções rivais e familiares seriam reféns. Por isso foi importante isolá-los”, afirma Gonçalves. “Mesmo sabendo que pessoas morreriam, ele teve a coragem de evitar um mal maior”, completa.
Outra medida que traria mais segurança à população, na opinião de Gonçalves, é a de impedir o funcionamento de torres de telefonia próximas de presídios e penitenciárias, ao invés de apenas bloquear o sinal para telefones celulares. “Parte da população acaba sendo prejudicada, mas ganha o País todo com essa medida. É uma medida emergencial”, ressalta.
O “clima” entre os policiais, agora, ainda é apreensivo. “Concordamos que todas as mortes sejam apuradas, mas o policial não pode ficar com imagem de exterminador, de marginal”, ressalta. Para ele, essa imagem inibiria a atuação do policial. “O que acontece é que fica perigoso o policial ir para a rua trabalhar, com medo de acabar na cadeia. O policial pode se afastar, com medo de punição”, completa.
Gonçalves opina, ainda, que para melhorar a segurança no Estado, a função de policial precisa ser mais valorizada. “Policiais do Estado de São Paulo têm salários maior do que Piauí, mas fica abaixo dos demais Estados”, afirma.