09 de julho de 2026
Regional

Vereadores vão ao MP contra concurso

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina – Os vereadores Adriano Roberto Baroni (PP) e Carlos Luís Adão Matos de Oliveira protocolaram anteontem, no Ministério Público de Jaú, denúncia de supostas fraudes em concurso público realizado em Bocaina (69 quilômetros de Bauru).

Eles querem que o Ministério Público investigue se houve favorecimento, por parte do Executivo, na classificação de alguns candidatos.

O concurso foi aberto pela administração municipal com a intenção de selecionar candidatos para preencher 12 vagas para diversas funções. O estudante Donizete Moura Martins, 26 anos, que participou do concurso para a vaga de vigia, alega que teve um bom desempenho nas provas escrita e prática e que não obteve a classificação que considera justa. “Eu acabei me sentindo prejudicado (...). Eu e alguns vereadores da oposição vamos pedir para que essas pessoas façam as provas (do concurso) de novo”, critica Martins.

Segundo a assessoria de imprensa, a prefeitura terceirizou o concurso justamente para evitar que houvesse privilégios na eventual contratação de parentes de políticos. A assessoria alega que o candidato, na soma geral das duas provas, não teria conseguido a classificação necessária e nega que houve favorecimento político na aprovação de candidatos.

De acordo Miriam Scucuglia, gerente da empresa contratada pela prefeitura para realizar o concurso, o candidato teria acertado 25 questões das 30 elaboradas para a prova escrita e conseguido 50 pontos de um total de 75 pontos na prova prática. Segundo ela, a prova prática tinha um peso maior na pontuação final.

Prova prática

De acordo com o vereador Baroni, a prova prática não teria apresentado um critério objetivo para determinar a pontuação. “O teste prático foi carregar um saco de cimento num percurso determinado. Todo mundo carregou o saco, não apontaram um critério objetivo”, comenta.

O estudante também alega que a organização do concurso não teria divulgado o gabarito da prova. Scucuglia explica que o gabarito só é divulgado dois dias depois das provas, que é o tempo necessário para que o candidato possa apresentar recurso. “O candidato leva as respostas que ele anotou (durante a prova) e o gabarito sai dois dias depois. Não sai na hora porque nós analisamos qualquer recurso apresentado para ver se o candidato tem razão. Se ele tiver razão, a questão é anulada. No caso de Bocaina, não houve anulação”, explica.

De acordo com a gerente da empresa organizadora das provas, 517 candidatos se inscreveram para o concurso, sendo que três entraram com recursos referentes à prova prática. Um deles foi Martins mas, segundo a gerente, não procedia o recurso pedido por ele. Ela explica que a soma dos pontos do candidato nas duas provas o classificou em 29.º lugar. “Ele foi um candidato de nota boa, só que outros foram melhores”, comenta.

Scucuglia ressalta que a empresa organizadora do concurso, da qual gerencia, atua há 20 anos no mercado e realiza concursos para várias prefeituras da região.

Baroni explica que na semana passada entrou com alguns requerimentos na sessão da Câmara pedindo informações e cópias de documentos sobre o concurso para a prefeitura. Ele queria anexá-los à denúncia feita no Ministério Público. Segundo ele, por cinco votas contra e quatro a favor os requerimentos foram negados. Mesmo assim Baroni e Oliveira foram ao Ministério Público que teria se antecipado e solicitado ao Executivo informações sobre o concurso.