11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Lotéricas fecham amanhã em protesto por sistema fora do ar

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 2 min

As 23 casas lotéricas de Bauru decidiram paralisar as atividades amanhã, das 8h ao meio-dia, em protesto ao novo sistema de informática implantado pela Caixa Econômica Federal (CEF) para a operação de loterias e serviços. Isso porque o sistema freqüentemente sai do ar. O resultado é demora no atendimento e, muitas vezes, fila.

Os donos dos estabelecimentos reivindicam o retorno do sistema anterior, que era operado pelo grupo de gestão tecnológica Getec. Ele teve de ser substituído por conta do envolvimento da empresa no caso Waldomiro Diniz, no qual o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, foi acusado de negociar com bicheiros o favorecimento em concorrências, em suposta troca de propinas e contribuições para campanhas eleitorais.

O novo sistema tecnológico tem gerado muitos problemas nas casas de loteria e, principalmente, insatisfação dos usuários. Em Bauru filas quilométricas, inclusive de idosos, já são comuns nessas casas em razão do problema. Na semana passada, muita gente deixou de apostar na Mega-Sena - que estava acumulada - e até de pagar contas.

“Não estamos conseguindo trabalhar. Os sistemas de transmissão de dados e o de recepção não estão compatíveis. Eles param a todo momento e nós ficamos com o cliente esperando na fila por até 4 horas. Ontem (terça-feira), o sistema saiu do ar às 8h30 e voltou às 18h45. Depois, parou novamente e voltou só às 20h30. Não chegamos a trabalhar uma hora e meia”, reclama João Ricardo de Arruda, subdelegado do Sindicato dos Lotéricos do Estado de São Paulo (Sincoesp) em Bauru.

A categoria em Bauru afirma que as dificuldades com o sistema têm comprometido 75% do faturamento nos últimos dias. Em razão disso, o setor já começa a desempregar.

Também faz parte da pauta de reivindicações dos lotéricos o protesto contra o valor de R$ 0, 28 que a CEF paga pelas cobranças de água, luz, telefone e outros tributos. Segundo eles, as agências bancárias recebem entre R$ 0,80 e R$ 1,60 pela prestação do mesmo serviço.

Os empresários do setor querem pressionar o governo federal a ressarci-los em 50% sobre o valor pago aos bancos pelo recebimento das tarifas

Ato em São Paulo

Na sexta-feira, donos de lotéricas e funcionários do setor de Bauru participarão em São Paulo, de uma manifestação nacional contra a CEF, que partirá do Museu da Arte Moderna (Masp), na avenida Paulista, com a presença do presidente do Sincoesp, Luiz Carlos Peralta.

“O descaso no tratamento às loterias contraria compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem nos reunimos na campanha eleitoral em 2002. Estamos mobilizados para reivindicar condições de igualdade em relação à rede bancária e obter soluções para outros graves problemas que nos causam grandes prejuízos”, diz o sindicalista em nota enviada à imprensa ontem.

Ainda segundo Peralta, a rede de lotéricas no País é freqüentada por 73% da população brasileira e gera 40 mil empregos direto. Em Bauru, as casas de loteria empregam cerca de cem pessoas.