Bagdá - A insurgência continua a crescer no Iraque e possui hoje estimados 20 mil integrantes. Cerca de um décimo desse contingente é formada por estrangeiros, ligados a Abu Mussab al Zarqawi, jordaniano e representante local da Al-Qaeda.
As informações constam do relatório “O Equilíbrio Militar - 2006”, publicado ontem em Londres pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, entidade independente que analisa conflitos e capacitação militar de 160 países.
O diagnóstico do instituto com relação ao Iraque é bastante pessimista. Constata inexistirem condições políticas para a unificação de estratégias de segurança interna. O sintoma dessa fragilidade está no recente voto de confiança ao primeiro-ministro Nouri Maliki, sem que xiitas, sunitas e curdos tenham chegado a acordo - depois de cinco meses- sobre os titulares dos ministérios do Interior e da Defesa.
O Exército e a polícia, diz o relatório, estão com maiores contingentes. Mas eles não são suficientemente treinados e não demonstram lealdade ao governo instituído.
O Afeganistão, insinua o instituto, tampouco dá margem a otimismo. Há o compromisso dos ocidentais de auxiliarem o país até 2010 e o plano da Otan de ampliar de 9 mil para 15 mil o número de militares estrangeiros, como forma de controlar as províncias do Sul e do Centro. Mas o Taleban, grupo integrista islâmico, voltou a dar provas de vitalidade, recorrendo à guerrilha.
Quanto ao Irã, o IISS acredita que em 2010 aquele país terá acumulado de 20 kg a 25 kg de urânio altamente enriquecido. Só isso forçaria os dirigentes mundiais a assumir como sério o risco de a República islâmica se dotar da bomba atômica.
O caso da Coréia do Norte é mais preocupante. O instituto acredita que ela disponha hoje de plutônio suficiente para fabricar entre cinco a 11 bombas. O reator de Yongbyon, de acordo com o dossiê, pode produzir anualmente 7,5 kg daquela matéria-prima.
O relatório afirma, por fim, que a China cresce economicamente e amplia suas despesas militares, embora a forma pouco transparente. As discrepâncias são tão grandes que estimativa feita pelo próprio IISS indica, com base nos dados de 2003, que o orçamento militar chinês é de US$ 39,6 bilhões, ou mais de uma vez e meia seu orçamento total, oficialmente declarado.