Penedo é uma cidade alagoana de tradições seculares e que ainda não foi de todo descoberta pelos turistas do Sudeste. Uma pena, já que lembra Ouro Preto, a cidade de Aleijadinho, nas “minas gerais”, com um jeito diferente de ser por conta da população nordestina, que é doce com os visitantes.
Querida, amada, gracinha, minha linda são alguns adjetivos que o visitante ouve na pracinha central, nas igrejas centenárias, nas lojas de artesanato e nos restaurantes onde a maravilhosa culinária do encontro do rio com o mar e com o rochedo como testemunha dá o tom.
Emoldurada pelo Rio São Francisco e a poucos quilômetros do mar, Penedo é chamada de “Ouro Preto do Nordeste” por causa dos casarões coloniais, igrejas seculares como a das Correntes, construída pela família Lemos, procedente de Portugal e abolicionista – paredes finíssimas atrás do altar-mor eram usadas no passado para esconder escravos que fugiam das torturas de senhores escravagistas do passado -, e as ladeiras de pé-de-moleque, tudo muito bem conservado.
A poética de existir à margem dá à gente do São Francisco o mesmo desejo de transparência das águas do seu rio. O desejo ancestral sempre presente na alegria fértil do imaginário popular; o respeito às tradições e à crença sempre renovada nos mitos que rondam as margens.
A origem de Penedo é atribuída a Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, em 1535. A razão do nome está no grande rochedo sobre o qual se assenta o cavalheiro do rio.
Esteve sob o domínio holandês de Maurício de Nassau entre 1637 e 1645. Depois da expulsão dos holandeses, Penedo se associou aos portugueses, senhores de terras, na luta contra os Palmares e na Revolução Pernambucana de 1817.
A cidade cresceu, progrediu. Tanto assim que se tornou uma das mais importantes do Nordeste, como provam as construções e o jeito refinado de seu povo. Penedo representa um dos marcos iniciais de povoamento do Estado e um celeiro da formação social e intelectual do povo alagoano.
Hoje, graças à parceria da Prefeitura Municipal com o Sebrae-AL, a cidade vem recebendo novos visitantes, que se encantam com esse novo pólo turístico, repleto de potencialidades.
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Gastronomia
Existem muitos outros sítios históricos e interessantes a se visitar em Penedo. Imperdível, no entanto, é a gastronomia local. O Restaurante da Rocheira é bastante representativo e oferece aos turistas, a bom preço, uma série de pratos, a começar pelo ensopado de carne de jacaré.
Depois vem a caranguejada, servida apenas com sal, ideal para tira-gosto. A Pituzada é outro tira-gosto. O pitu, camarão grande de água doce é acompanhado de pirão escaldado. Em seguida vem o prato de resistência, a peixada de Penedo, bem tradicional.
Fazem a diferença os peixes do lugar: surubim, camurim e robalo, três peixes nobres que agradam aos paladares mais exigentes. A tilápia não é peixe do São Francisco, mas se adaptou muito bem à região, sendo criada em cativeiro. O filé, sem espinhas, é servido com os mais variados molhos.
Os boêmios da cidade não dispensam a pilombeta frita, peixinho bem pequeno que anda em cardume e, sequinha, passada na farinha de mandioca, é ideal como tira-gosto e uma cerveja geladíssima.
Carne de sol é o prato de “sustança”, como dizem os sertanejos. Uma bela manta de filé, frita no óleo quente, com bastante cebola, é um prato saboroso e encontrado em qualquer restaurante da cidade. Alguns preferem macaxeira cozida, a nossa mandioca, como acompanhamento.
Os penedenses preferem o pirão de leite. Para fazê-lo é só colocar leite de vaca em uma panela sobre fogo brando, e, antes da fervura, adicione um pouco de farinha de mandioca e uma pitada de sal, mexendo sempre, até dar o ponto de pirão.