09 de julho de 2026
Nacional

Pontes vai para reserva da Aeronáutica

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Primeiro astronauta brasileiro, o tenente-coronel Marcos Pontes decidiu ir para a reserva da Aeronáutica, o que põe areia no discurso do Palácio do Planalto, da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Aeronáutica de que ele poderia ser usado como um fator de estímulo ao programa espacial e a novas adesões às Forças Armadas após sua viagem espacial de US$ 10 milhões.

Pontes retornou do espaço no início de abril. No dia 20, foi recebido em Brasília como herói nacional e condecorado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A decisão de Pontes foi comunicada na semana passada ao comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luiz Carlos Bueno, revelou anteontem o jornal “O Estado de S. Paulo". Na reserva, poderá atuar na iniciativa privada e cobrar por palestras, algo que na ativa lhe era vedado.

Questionado anteontem sobre a aposentadoria de Pontes, Lula preferiu não polemizar. Sorridente, limitou-se a dizer: “É uma norma (militar a que Pontes tem direito)".

Já no Ministério da Ciência e Tecnologia e na Agência Espacial Brasileira (AEB), a reação nos bastidores foi de irritação. Pontes não comunicou previamente o pedido de baixa à agência, que bancou seu treinamento de sete anos nos EUA sua viagem ao espaço, de carona numa nave russa Soyuz.

“Minha surpresa foi ficar sabendo da passagem para a reserva pelo Diário Oficial", disse o presidente da AEB, Sérgio Gaudenzi.

Gaudenzi afirmou ainda que as portas estão abertas para que Pontes continue a trabalhar como consultor. “Ficaria decepcionado se ele fosse para outra área."

A AEB esperava que o astronauta fosse virar uma espécie de garoto-propaganda do programa, treinando novos astronautas e funcionando também como uma espécie de “adido" da agência junto aos EUA durante a renovação do contrato de participação na Estação Espacial Internacional, no mês que vem. Agora, se quiser consultoria de Pontes, o governo terá de pagar por fora.

Outra motivação de Pontes para deixar a ativa teria sido a possibilidade de permanecer estagnado em sua atual patente. Nos últimos anos, o agora ex-astronauta deixou de fazer cursos específicos e obrigatórios de promoção nas Forças Armadas.

A Força Aérea Brasileira (FAB) tentou minimizar a saída de Pontes da ativa. Em sua página na Internet, fala no “início de uma nova fase’’ e que o tenente-coronel “prepara-se para enfrentar novos desafios". O comandante da Aeronáutica vai na mesma linha: “A Força Aérea só tem a agradecer a maneira brilhante como realizou sua missão em proveito da Força Aérea, do Brasil, e, o que nos chamou mais a atenção, em proveito das crianças brasileiras, que têm (no astronauta) um exemplo de perseverança e vitória".

Em comunicado da FAB, afirmou que o ato “reflete sentimentos distintos". Por um lado, segundo ele, existe a “tristeza de assinar" o pedido de reserva. Por outro, a “alegria em poder iniciar uma nova etapa com todo o conhecimento adquirido".

Ele prossegue: “Quero trabalhar pelo Brasil num sentido de juventude, pensando em colocar nossos jovens num caminho que ajude o País", declarou.