Gaza - Em uma atitude surpreendente, o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, disse ontem que pretende realizar um referendo a respeito da formação de um Estado palestino que siga as fronteiras de 1967, caso o Hamas não concorde com a proposta em dez dias.
O referendo deve perguntar aos palestinos se eles aceitam ou rejeitam o documento de cinco páginas elaborado no início deste mês por militantes palestinos detidas em Israel. O documento pede a formação de um Estado palestino na Cisjordânia, em Gaza e em Jerusalém, nas áreas capturadas por Israel na Guerra dos Seis dias, em 1967.
A proposta foi negociada por líderes presos do Hamas e do Fatah durante um semana na prisão de Hadarim - onde Marwan Barghouti, um dos principais líderes do Fatah - está detido. Abbas deu as declarações durante um encontro do “diálogo nacional palestino”, que reuniu representantes de diversas facções em Ramallah, na Cisjordânia.
Segundo ele, é necessário chegar a um consenso nacional com urgência. “A situação está cada vez mais perigosa. Não podemos esperar pelo resto de nossas vidas”, acrescentou. O líder palestino disse ainda que todos os palestinos desejam a formação de um Estado que siga as fronteiras de 1967.
De acordo com Abbas, se em dez dias os líderes do Hamas e do Fatah não alcançarem uma plataforma comum, ele irá convocar um referendo para dali a 40 dias. “Os países árabes aguardam que adotemos uma posição realista e que trabalhemos em harmonia, para levar à frente o Estado palestino. Eles não podem fazer nada pela causa palestina se os próprios palestinos rejeitam qualquer proposta”.
Durante a abertura do encontro de dois dias, o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh - líder do Hamas - afirmou que todos os partidos devem trabalhar em conjunto. Falando de Gaza via videoconferência, Haniyeh afirmou aos representantes em Ramallah que um acordo político está muito próximo, mas que é preciso fortalecer a união nacional. “Nós reafirmama posição de unificar nossa visão política, porque isso trará confiança ao nosso povo”.
Autoridades do Hamas temem que o diálogo seja utilizado por algumas facções para questionar a legitimidade do governo liderado pelo grupo terrorista e partido político. “Se o objetivo do diálogo for mostrar que o governo falhou em cumprir suas tarefas e deve aceitar uma fórmula política para honrar seus compromissos, o diálogo não irá funcionar”, disse Khalil Abu Laila, líder do Hamas em Gaza.