Díli - Doze pessoas morreram em confrontos entre forças regulares e rebeldes em Dili, a capital de Timor Leste, que ontem à noite voltava aparentemente à calma, após o desembarque de um contingente de 150 militares australianos que têm mandato das Nações Unidas para fazer cessar a agitação.
O pequeno país de 1 milhão de habitantes - ex-colônia portuguesa ocupada pela Indonésia (1975-1999) e que se tornou independente em 2002 - está há dois meses convulsionado. A crise começou com a demissão de quase 600 militares que entraram em greve, em protesto contra critérios de promoção que julgavam discriminatório. Eles representavam 40% das forças terrestres.
O brasileiro José Fernando Latorre, assessor jurídico do presidente Xanana Gusmão, disse à reportagem que durante a madrugada de ontem ouviu o ruído de aviões de transporte aterrissando na cidade. É provável que novos soldados australianos estivessem desembarcando como reforço.
Com o comércio fechado, a população que ainda permanece em Díli está se alimentando com o que tem armazenado em casa. O prolongamento da crise representaria um risco de desabastecimento, diz Latorre. Ontem, policiais aquartelados foram cercados por militares rebeldes. A troca de tiros cessou quando, sob o arbítrio do representante da ONU Sukehiro Hasegawa, os agentes desarmados entraram em um comboio.
Nove rebeldes foram mortos, e 27 pessoas ficaram feridas, entre elas dois funcionários da ONU. Os três outros mortos foram dois soldados e um capitão das forças rebeladas contra o governo.
A Nova Zelândia está enviando 60 policiais e soldados. Portugal desembarcará 120 militares -o primeiro-ministro José Sócrates pediu um claro mandato da ONU para não melindrar a ex-colônia -, e a Malásia prometeu enviar 500.