09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Eletros prevê alta no preço de equipamentos eletrônicos

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Quem estiver pensando em adquirir uma geladeira, máquina de lavar roupas ou qualquer outro eletrodoméstico da linha branca, deve se apressar. O preço desses produtos será reajustado em até 6% nos próximos dias. A afirmação é do presidente da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab.

Segundo ele, a oscilação é reflexo do aumento de preços do aço, cobre e alumínio aplicado pelas siderúrgicas. O reajuste chegou a seis pontos percentuais, ficando acima dos índices de inflação.

“A trégua nos aumentos de insumos parece ter cessado, como mostram os pedidos de reajuste de vários setores que são fornecedores da indústria eletroeletrônica”, destaca Saab, em nota enviada à imprensa.

Ainda de acordo com ele, inúmeros fatores do mercado externo contribuíram para o aumento dos insumos. Os grandes fornecedores nacionais de aço, por exemplo, decidiram elevar o preço do minério de ferro - a matéria-prima do aço - para os clientes internacionais. No caso do cobre e do alumínio, a cotação acompanha a alta verificada no Exterior.

As grandes redes varejistas dizem não estar dispostas a repassar o reajuste ao consumidor, mesmo tendo que pagar mais caro pela mercadoria. A assessoria de imprensa de uma grande empresa de eletrodomésticos que possui duas lojas em Bauru informou que o aumento será evitado, principalmente, para evitar queda no consumo. Também disse que, por conta de muitos contratos já estarem fechados desde o começo do ano, um volume muito pequeno de produtos terá o preço alterado no momento da empresa receber a mercadoria.

Para Paulo Seimetz, gerente-geral de uma loja de eletrodomésticos no Centro de Bauru, as empresas não terão como frear o aumento para beneficiar o consumidor final. Ele aponta que o reajuste deve ser barrado nos fornecedores. “Se isso não ocorrer, não vai ser possível para os varejistas segurar esse repasse. Trata-se de um aumento muito significativo, principalmente porque está acima da inflação”, observa.

O gerente acredita que se o repasse, de fato, chegar ao consumidor, a loja sofrerá impacto de uma redução de até 15% nas vendas e de 5% no faturamento. Ele prevê que os refrigeradores devem ser os produtos mais atingidos, já que são os mais vendidos entre a linha branca no estabelecimento.

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Reflexos

Os fogões serão os menos afetados pela alta dos eletroeletrônicos. A previsão da Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros) é de aumento próximo a 2%. Reajuste maior sofrerão as lavadoras automáticas, entre 3% e 5%, e os refrigeradores, entre 5% e 6%.

Um fogão de quatro bocas, por exemplo, que atualmente custa R$ 300,00, terá um aumento de R$ 6,00. Uma máquina de lavar com capacidade para cinco quilos, hoje vendida em torno de R$ 800,00, se receber um reajuste de 5%, passará a custar R$ 840,00. Já uma geladeira de 260 litros, que custa em torno de R$ 800,00, caso sofra um aumento de 6%, será vendida a R$ 848,00.

Para José Carlos Rodrigues, vendedor de eletrodomésticos de uma loja do Centro de Bauru, embora o reajuste seja significativo aos olhos do consumidor, as vendas não devem diminuir. “São equipamentos úteis e muito necessários na casa das pessoas. Portanto, ninguém vai abrir mão de comprá-los. Acho que o cliente vai passar a pesquisar mais, a pechinchar mais. Mas queda no volume de comercialização, se sentirmos, será bem pouco”, considera.

A dona de casa Maria Ivone da Silva pesquisa preços, desde a semana passada, de um forno microondas que pretende comprar. Alertada sobre a alta dos preços programada pela Eletros, disse que caso não efetuasse a compra antes do aumento, teria de recorrer a um número de parcelas maior para conseguir pagar. Porém, não pensava em desistir da aquisição do produto em razão do reajuste.

“O preço de tudo está subindo mais que a inflação, menos o valor do salário da gente, que nunca acompanha esse ritmo. Quem sai perdendo somos nós, que precisamos comprar e não temos como não pagar pelo preço que é pedido”, reclama Silva.