10 de julho de 2026
Internacional

Família de ministro do Interior do Timor Leste é queimada por rebeldes

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Dili - Os corpos carbonizados de duas crianças, três adolescentes e uma mulher foram encontrados na casa do ministro do Interior de Timor Leste, Rogério Lobato. As vítimas pertenciam à família dele. O fogo foi ateado na madrugada de ontem por rebeldes que há quatro semanas têm enfrentado o Exército regular e a polícia da ex-colônia portuguesa. O primeiro-ministro, Mari Alkatiri, disse à televisão local que Lobato não estava em casa no momento do atentado.

Apesar do episódio, a situação permanecia ontem relativamente calma em Dili, Capital do paupérrimo país de 1 milhão de habitantes encravado no arquipélago da Indonésia.

Soldados australianos desembarcados na véspera e durante a madrugada - eles já são 450 dos esperados 1.300 - patrulhavam ontem a cidade em veículos blindados. Percorriam as ruas principais, também monitoradas por helicópteros Blackhawk. Tiros esparsos eram, no entanto, ainda ouvidos em pontos isolados da Capital.

O ministro das Relações Exteriores, José Ramos Horta, declarou que o governo abriu mão da segurança interna e a entregou aos militares estrangeiros. Portugal, Nova Zelândia e Malásia também devem enviar seus contingentes.

Pelo menos 23 pessoas foram mortas em quatro dias nos confrontos com os rebeldes. O presidente Xanana Gusmão ocupa um local seguro e sigiloso fora da Capital, disse por e-mail à reportagem um alto funcionário timorense, que pediu para não ser identificado. Segundo ele, a situação se degradou porque o premiê Alkatiri protelou a solução para a crise.

A crise eclodiu quando 40% dos soldados e oficiais do Exército - quase 600 homens - fizeram greve e em seguida foram expulsos da instituição, por protestar contra critérios de promoção interna que julgavam discriminatórios. Eles afirmavam ser ultrapassados nas promoções por veteranos dos combates anticoloniais (contra Portugal e Indonésia) ou que não fossem nativos da região oriental do país.

O chanceler Ramos Horta, que no passado recebeu o Nobel da Paz, disse a uma rádio da Nova Zelândia que as forças em conflito concordaram em deixar Dili e que seus representantes poderão iniciar negociações amanhã com a Presidência.