08 de julho de 2026
Internacional

Explosão mata líder do Jihad Islâmico

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Beirute - A explosão de um carro-bomba matou ontem o líder do Jihad Islâmico no Líbano, Mahmoud Majzoub. O grupo palestino, com base também no Líbano, é acusado de várias ações terroristas na região nos últimos 16 meses, que deixaram 34 mortos. Após o ataque, o Jihad Islâmico responsabilizou Israel pela ação e prometeu vingança.

A explosão matou também Nidal, irmão de Mahmoud, ambos palestinos. “Com a permissão de Deus, a resposta será dura”, disse Abu Imad Rifai, representante do Jihad islâmico no Líbano, acrescentando que a retaliação poderia partir de “irmãos”, referindo-se a membros do grupo em Gaza e na Cisjordânia.

Ao contrário das outras principais facções palestinas, o Jihad Islâmico não aderiu ao cessar-fogo informal em Israel e nos territórios ocupados. Cerca de 400 mil palestinos vivem no Líbano como refugiados desde 1948, vindo de territórios que hoje são parte de Israel.

O segundo homem mais importante do Jihad Islâmico, Ziad al Nakhalah, confirmou a ameaça contra Israel. “O Jihad Islâmico possui armas de longo alcance que podem atingir inimigos e suas instituições em qualquer lugar”, afirmou em comunicado divulgado em Damasco (Síria).

Rifai rejeitou a possibilidade de que outros grupos palestinos ou libaneses possam ter sido os responsáveis pelo ataque que matou Majzoub, afirmando que ninguém tinha interessa na morte dele (líder do grupo), exceto o Mossad (o serviço secreto israelense).

Em Israel, militares disseram ter tomado conhecimento sobre a explosão através da imprensa, mas não deram mais nenhuma informação. Mahmoud e Nidal estavam em seu apartamento no centro da cidade de Sidon, sul do Líbano, quando um carro-bomba acionado por controle remoto explodiu no estacionamento.

Nidal, 39 anos, morreu na hora. Seu irmão, e líder do Jihad Islâmico, Mahmoud, 41 anos, chegou a ser levado para um hospital, mas morreu durante a cirurgia, segundo informações de uma autoridade, que falou em condição de anonimato a jornalistas.

A bomba continha um quilo de explosivos empacotados e deixados dentro de um Mercedes prata. A explosão quebrou vidros das janelas de vários edifícios na cidade portuária, 40 quilômetros ao sul de Beirute. Policiais libaneses e soldados cercaram a área e utilizaram cães para vasculhar a área.

Chefe de recrutamento do Jihad Islâmico, Majzoub era cidadão libanês. A explosão de hoje foi a segunda tentativa de matá-lo. Em 1998, ele, sua mulher e seu filho ficaram feridos quando seu veículo explodiu em Sidon. O grupo extremista acusou Israel de ser responsável pelo ataque.

O Jihad Islâmico se recusa a reconhecer o acordo verbal de paz com Israel selado em fevereiro de 2005. O grupo reivindicou oito dos nove ataques suicidas realizados após o acordo de paz. Os ataques mataram um total de 28 israelenses, dois palestinos e quatro estrangeiros -entre eles, um americano. Palestinos apontam Israel como responsável pelos assassinatos de vários líderes militantes, entre eles, a morte do líder do Jihad Islâmico, Fathi Shekaki, ocorrido em Malta em 1995.