08 de julho de 2026
Articulistas

Sentimentos modernos


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Lembro-me de quando tinha 14 anos. Eram tempos difíceis, mas eu tinha uma visão de mundo diferente, não sei dizer se era melhor, mas sei que era mais simples, mais fácil de encarar as coisas como elas são, não havia tantas dificuldades para se expressar. Volto meus olhos para os dias de hoje e sinto que a modernidade e a complexidade da vida social tomaram conta da personalidade das pessoas.

É comum perceber como as pessoas se “tornam”, se transformam, se desenvolvem ou simplesmente deixam transparecer o que realmente são, através de palavras, frases ou textos. No entanto, é difícil entender como as pessoas já não se comunicam como nos tempos em que enviavam cartas, posteriormente o telefone, quando pessoas conversavam e dialogavam.

Ainda me lembro quando tinha 16 anos, nesta época eu já me apropriara de um sentimento criado pela sociedade instruída, chamado formalidade, e era através desta que se “media e calculava” a inteligência, pois quem a utilizava para expressar seus sentimentos, indagações, críticas e posições de forma intrincada, eram intituladas como pessoas cultas. Percebo que, inconscientemente, as pessoas já não sabem demonstrar seus sentimentos, perderam o hábito, se esqueceram de como funciona o processo de comunicação. Estamos vivendo tempos em que a sociedade moderna nos torna frios e calculistas, onde emissores e receptores utilizam métodos hostis e não convencionais para realizarem a tal conversa.

Ainda me lembro de muitas coisas de meu tempo de menino e neste momento em que me remeto ao passado, meu coração é invadido por um sentimento chamado saudade, tento de alguma forma voltar ao passado, mas este direito não me é permitido.

Escrevendo assim, nem parece que tenho apenas 22 anos e que ainda gosto de assistir desenhos. Isso faz parte do processo de crescimento e amadurecimento que o “sistema” me impõe.

Ósculos e amplexos aos meus amigos e colegas. (O autor, Raphael Vinicius de Souza, é professor de informática em Bauru)