Brasília - As investidas do PT para conseguir o apoio formal do PMDB à possível candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva podem render mais bem do que uma aliança de peso em torno do petista. O PT precisa do PMDB para esticar o tempo que o presidente Lula terá na campanha para propaganda política, que começa a ser veiculada em cadeia de rádio e televisão a partir do dia 15 de agosto.
Sem o apoio do PMDB, Lula terá menos tempo do que o pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin. Até agora, pelo menos, o tucano conseguiu mais tempo na rádio e TV do que Lula.
A aliança com o PFL garantiu a Alckmin 9 minutos e 2 segundos para sua campanha de rádio e TV, que será levada ao ar a partir de 15 de agosto. Esse tempo não leva em conta o período adicional que é distribuído igualmente para cada candidato.
Pela legislação, serão divididos entre todos os postulantes 16 minutos e 40 segundos por dia de programa. Se houver quatro os candidatos, por exemplo, o tempo total da aliança PSDB-PFL será de 13 minutos e 12 segundos.
Sem o apoio dos pefelistas, Alckmin teria apenas 4 minutos e 4 segundos de programa partidário no rádio e na TV. Esse período é menor que o tempo que o PT tem sozinho para seus programas de rádio e TV: 5 minutos e 44 segundos.
O tempo da campanha de rádio e TV de cada partido faz parte de um levantamento da assessoria jurídica do PPS ao qual a reportagem teve acesso.
O PFL - que indicou o senador José Jorge (PE) para ser o vice na chapa de Alckmin - agregou 4 minutos e 58 segundos de tempo de TV e rádio para a candidatura do tucano. Para conseguir mais tempo de programa eleitoral gratuito do que Geraldo Alckmin, Lula terá que conseguir o apoio formal do PMDB à sua candidatura.
As alianças que vem sendo negociadas pelo petista - com PC do B e PSB - não garantem a Lula mais exposição do que Alckmin. Uma coligação apenas com o PMDB levaria Lula a ter 10 minutos e 16 segundos - sem considerar o tempo igualitário para todos os candidatos. Desse tempo, 4 minutos e 32 segundos são do PMDB e 5 minutos e 44 segundos do PT.
Caso venha a concretizar a coligação com o PSB e o PC do B, a campanha de rádio e TV do petista subiria para 12 minutos e 54 segundos com o reforço do PMDB. Com isso, Lula conseguiria ultrapassar Alckmin no tempo de exposição no horário gratuito de rádio e TV.
Aliados tradicionais
As alianças tradicionais do PT, com o PSB e PC do B, renderiam a Lula 8 minutos e 22 segundos de programa eleitoral de rádio e TV. Como o PMDB ainda não definiu se terá ou não candidato próprio, os tucanos e pefelistas ainda apostam numa virada do desempenho de Alckmin a partir do início da campanha eleitoral na rádio e TV. “Quando o programa eleitoral começar, nós vamos crescer nas pesquisas”, avalia o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), um dos coordenadores da campanha do PSDB.
O cenário pode melhorar ainda mais para Alckmin caso PSB decida não apoiar formalmente a candidatura do presidente Lula. O comando do partido quer a coligação, mas ainda enfrenta a resistência de alguns diretórios. Com o apoio apenas do PC do B, Lula terá apenas 6 minutos e 34 segundos de tempo de rádio e TV.
Se o PT fechar uma aliança com PMDB, PSB e PC doB, terá 3 minutos e 52 segundos de vantagem sobre o tucano em tempo de exposição na campanha eleitoral.
Distribuição
O tempo de televisão de cada partido é calculado de acordo com o tamanho da bancada que tomou posse no início da Legislatura - 1 de janeiro de 2003. No último pleito, o PT elegeu o maior número de deputados federais (91), o que garantiu ao partido o maior tempo de propaganda eleitoral.
Na seqüência aparecem PFL, PMDB e PSDB. Os candidatos ainda têm direito a um tempo distribuído igualitariamente pela Justiça Eleitoral. No total os candidatos têm 50 minutos diários de programa, divididos em dois blocos de 25 minutos. Desse tempo, 1/3 é dividido para todos os candidatos e 2/3 proporcionalmente ao número de deputados federais filiados aos partidos desde o início da legislatura.
Início: 15/8
Brasília - A partir do dia 15 de agosto começa a ser veiculada em cadeia de rádio e televisão a propaganda eleitoral gratuita. Os candidatos à Presidência terão espaço reservado no horário nobre todas as terças, quintas e sábados para apresentarem suas propostas. Se a eleição for para o segundo turno, os programas passam a ser diários.
Os programas dos candidatos à Presidência da República terão 50 minutos e serão divididos em dois blocos de 25 minutos cada. Na televisão, serão veiculados das 13h às 13h25 e das 20h30 às 20h55. No rádio, a propaganda política começa às 7h e vai até as 7h25 e depois é repetida das 12h às 12h25. As campanhas dos governadores serão exibidas segundas, quartas e sextas-feiras.
Assim como para os deputados federais, os blocos são de 20 minutos, totalizando 40 minutos de programa. Para os candidatos ao Senado o tempo é de 20 minutos, divididos em dez minutos de manhã e de noite.
O Congresso chegou a aprovar na minirreforma eleitoral que os programas se resumissem ao candidato e à câmera, mas o artigo foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão recebeu o apoio até mesmo dos partidos de oposição que poderão divulgar nas campanhas as imagens das CPIs, enquanto que Lula poderá mostrar as obras que inaugurou durante sua gestão.
*Andreza Matais