09 de julho de 2026
Internacional

Mortos na Indonésia chegam a 4,6 mil

Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Jacarta - Milhares de sobreviventes exaustos e angustiados continuavam cavando ontem em meio aos destroços em busca de parentes, pertences e comida nas casas destruídas pelo forte terremoto que atingiu principalmente as Províncias de Yogyakarta e Bantul, na Indonésia.

De acordo com o Ministério de Assuntos Sociais, o saldo de mortos pelo tremor de 6,3 graus na escala Richter, que abalou a ilha de Java às 5h54 locais de anteontem (19h54 de sexta-feira em Brasília), subiu para 4.600 pessoas. Mais de 20 mil ficaram feridos e ao menos 100 mil pessoas estão desabrigadas, informou o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), explicando que os números ainda não são precisos.

“Ninguém realmente sabe com certeza porque muitas pessoas foram na verdade retiradas do local para serem tratadas e muitas que ficaram feridas foram para outros locais”, declarou o porta-voz do Unicef, John Budd.

O tremor foi o terceiro grande desastre sofrido pelo país do sudeste asiático nos últimos 18 meses, depois do tsunami de 26 de dezembro de 2004, no qual morreram 168 mil indonésios, e de outro terremoto, em março de 2005, que provocou a morte de 600 pessoas.

O governo da Indonésia anunciou ontem um pedido de ajuda à comunidade internacional depois do violento terremoto. “O Ministério de Relações Exteriores pediu aos seus representantes no Exterior que mobilizem a assistência humanitária para ajudar as vítimas do terremoto”, destacou um comunicado divulgado pela Chancelaria da Indonésia, quarto país do mundo no número de habitantes (212 milhões).

No local da tragédia, uma área densamente povoada, as equipes de resgate prosseguem a busca desesperada por possíveis sobreviventes entre as ruínas das casas. Soldados, equipes de resgate e voluntários usavam as próprias mãos para escavar entre os escombros nas Províncias de Yogyakarta e Bantul, as duas mais afetadas pelo tremor.

O odor dos corpos em processo de decomposição já começa a se espalhar pela região. Em toda a zona do desastre, os hospitais improvisam ambulatórios para atender mais de 10 mil pessoas feridas. A maioria destas vítimas passou a noite ao ar livre, em barracas de campanha.

Ao mesmo tempo, funcionários das agências humanitárias trabalham para levar alimentos, medicamentos e material de sobrevivência às mais de 200 mil pessoas desabrigadas.

Os mortos começaram a ser enterrados pelos familiares, em túmulos simples, com cerimônias breves nas quais são lidos poucos versos do Alcorão, o livro sagrado para a maior parte das famílias da Indonésia, o país muçulmano de maior população do mundo.

A Indonésia se encontra no Cinturão de Fogo do Pacífico, ponto de encontro das placas tectônicas continentais, causa de uma forte atividade sísmica e vulcânica na região, onde ontem foram registrados dois tremores nas ilhas de Papua Nova Guiné e Tonga, que não provocaram vítimas ou danos materiais.

O vulcão Merapi, um dos mais ativos do planeta, provocou a retirada temporária de moradores da região. O Merapi, que situa-se ao norte do epicentro do tremor de sábado, continuava expelindo fumaça ontem, depois de várias semanas de erupções de lava e nuvens escuras.

Muitas mortes na tragédia de sábado aconteceram na zona sul de Yogyakarta, a segunda maior cidade da Indonésia, com pelo menos 1,5 milhão de habitantes.

Brasileiros na região

Jacarta - A Embaixada do Brasil na Indonésia informou ontem que há 12 brasileiros na região do terremoto ocorrido na Indonésia na ilha de Java (sul do arquipélago indonésio): sete deles radicados no país e outros cinco turistas.

Segundo a nota da embaixada, divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores, dos sete radicados, um ainda não havia sido encontrado. A nota informa ainda que havia cinco turistas brasileiros na região, mas que nada sofreram, segundo informações recebidas pela embaixada por parte de parentes dos turistas no Brasil.

O único estrangeiro dado como desaparecido até o momento, diz a nota, é de nacionalidade holandesa.

“O governo brasileiro solidariza-se com as famílias das vítimas do violento terremoto ocorrido ontem, 27 de maio, na ilha de Java e manifesta seu sentido pesar ao Governo e ao povo da Indonésia”, diz o comunicado.

O presidente indonésio, Susilo Bambang Yudhoyono, visitou o local do terremoto e pediu às equipes de resgate que trabalhem rápido para retirar as vítimas o mais rápido possível.

O governo de Jacarta destinou US$ 5,5 milhões à reconstrução de Yogyakarta, que fica a 400 km da capital indonésia. A comunidade internacional também se mobilizou para ajudar o país.