09 de julho de 2026
Nacional

Snow Patrol, sem vergonha de ser pop

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos tempos, o rock vem sendo tomado por roqueiros sentimentais. São artistas como Coldplay, Keane, James Blunt, Starsailor, Travis - e isso sem contarmos as bandas emo... Nessa mesma linha, aparecem os britânicos Snow Patrol, que com seu novo álbum desembarcando no Brasil, devem repetir por aqui o sucesso alcançado lá fora. O disco, “Eyes Open”, saiu no começo deste mês na Europa e foi o álbum mais vendido no Reino Unido em sua semana de lançamento. O CD é composto por 11 faixas claramente feitas para tocar nas rádios e grudar nos ouvidos, como o primeiro single, “You’re All I Have”.

Ser popular nunca foi um problema, mas com o Snow Patrol tudo é tão calculado e ensaiado que incomoda. “Eyes Open” traz várias baladas com letras açucaradas e algumas músicas mais rápidas, mais roqueiras, mas não muito. Nada é muito agressivo - as arestas são aparadas, os vocais passam por filtros para ganharem tom mais encorpado, grandioso... Mas deve-se dar um crédito à banda: eles agradam ao ouvinte pop e é isso o que eles sempre procuraram.

A banda foi formada no meio dos anos 90, na Escócia, pelo vocalista Gary Lightbody, natural da Irlanda do Norte. No começo da carreira, assinaram com a Jeepster, simpática gravadora independente. Lançaram dois álbuns, “Songs For Polarbears” e “When It’s All Over We Still Have to Clear Up”, mas saíram do selo porque os discos foram ouvidos apenas pelos parentes mais próximos dos músicos, e eles não ficaram contentes com isso. Lightbody chegou a dizer que não agüentava mais a Jeepster porque a gravadora “não sabia divulgar a banda”.

Talvez. Mas o problema talvez também tenham sido os próprios discos, afetados e ocos, que não decolaram nem com a “aura underground” e a ajuda de respeitados músicos amigos escoceses, como Mogwai e Arab Strap. Por algum motivo, a Polydor, subsidiária da Universal, resolveu contratar o grupo. Arrumaram um produtor acostumado a encaixar bandas pop-rock em rádios e MTV, maquiaram o quinteto como um sub-Coldplay e o Snow Patrol voltou com “Final Straw”. Diferentemente dos antecessores, o disco trazia algumas canções com melodias redondas e letras bonitinhas. Com baladas como “Chocolate” e “Run”, não foi difícil emplacar nas FMs e, finalmente, levar o Snow Patrol ao conhecimento do grande público.

Este ‘Eyes Open” é pior do que “Final Straw”. A primeira canção, “You’re All I Have”, é das únicas que trazem um pouco de sutileza (“Eu tenho que te ver uma noite mais/ Antes que os leões apareçam”). O resto do disco segue com canções que lembram Coldplay, Radiohead, REM... Lembram um monte de gente. Mas não vão muito longe.

*Thiago Ney

O Snow Patrol e suas influências

“You’re All I Have” - Inicia o disco num meio tom: nem lenta nem rápida; um Foo Fighters emo

“Hands Open” - É “agitada”, com guitarras altas - quase um “lado B” do Radiohead da fase “The Bends”

“Chasing Cars” - Balada que se não fosse tão óbvia poderia estar no primeiro álbum do Coldplay

“Shut Your Eyes” - Tem uns vocais com efeitos e ecos parecidos com o que faz Michael Stipe, do REM, mas sem a ironia deste

“You Could Be Happy” - melodia bonita, nos lembra Belle & Sebastian; pena que a letra estraga

“Headlights on Dark Roads” - é quase tão pop quanto as canções do Teenage Fanclub

“Set the Fire to the Third Bar” - Profunda como Robbie Williams