Brasília - Com a proximidade do encerramento dos trabalhos, a CPI dos Bingos tenta esta semana iniciar a discussão de um acordo político para votação do relatório final da comissão. Governistas querem evitar os pedidos de indiciamentos de integrantes do PT, mas o relator Garibaldi Alves (PMDB-RN) já disse a assessores que prefere ver seu texto rejeitado caso tenha de retirar nomes.
A oposição apóia Garibaldi, mas depende do senador Augusto Botelho (PDT-RR). Apesar de integrar a bancada oposicionista, o parlamentar vez ou outra vota com os governistas. Na semana passada, por exemplo, faltou na reunião administrativa e acabou ajudando a base aliada a derrubar o requerimento de convocação do banqueiro Daniel Dantas.
A data de encerramento da CPI dos Bingos é 24 de junho, mas os senadores desejam terminar os trabalhos no dia 15. Garibaldi já disse aos colegas que pretende entregar seu relatório no dia 8. Apesar dos embates entre oposição e governo, o presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), diz acreditar no cumprimento dos prazos. “Eu não acredito em boatos. Nesse momento, eu acredito que vamos fazer um relatório verdadeiro, sério e sem caráter político”, afirmou.
Articulador político do governo na CPI, o senador Tião Viana (PT-AC) aposta no diálogo com a oposição por intermédio de Efraim. “Até agora há um ambiente favorável”, disse. Mas ele adianta que não aceitará pedidos de indiciamentos que “não estejam relacionados com o foco determinado da CPI”.
Nessa lista, Viana inclui os prováveis pedidos de indiciamento do ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso e do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci, ambos envolvidos na violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, que chegou a ser investigada pela CPI.
O PT vai também questionar a inclusão das apurações sobre as denúncias nas prefeituras de Santo André e Ribeirão Preto. “Esses casos (relacionados ao caseiro) podem ser descritos no relatório, mas não vamos aceitar pedidos de indiciamentos”, disse. “Vamos manter a coerência. O caso de Palocci nem se discute. Creio que isso é um ponto de entendimento.”
Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), Viana está “se enganando”. “Se abrirmos mão desses pedidos de indiciamento, seria o fracasso”, disse. “Vamos sentar para conversar com o governo, mas, se não tiver acordo, só nos resta votar o relatório”, completou.
É por isso que Álvaro Dias já admite abertamente discutir a substituição de Augusto Botelho (PDT-RR) por outro pedetista que garanta voto para a oposição. Uma das opções para a vaga é Osmar Dias (PR), líder do PDT e irmão de Álvaro. “Primeiro vamos ter uma conversa para que ele (Botelho) vote com a gente”, disse o senador tucano.