O consumidor terá que se habituar a comprar pão francês ou de sal da mesma forma que compra carne, frios e algumas frutas. O produto, dentro de 20 dias, só será vendido por peso em todo o Estado de São Paulo. A determinação é do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), que se baseia em pesquisa pública com a opinião de mais de mil consumidores sobre o assunto.
Os resultados apontam que 70,34% das pessoas que participaram da votação pela Internet, no site do Inmetro, escolheram a venda do pão por peso, enquanto 29,6%, por unidade. Apenas 0,59% optou pelas duas formas de comercialização.
A venda do produto ainda é permitida por unidade e por peso. Porém, a constatação do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem), de que muitas padarias no Estado comercializam o pão francês abaixo dos pesos padrões, que são de 50 gr, 100 gr, 200 gr, 300 gr, 500 gr e um quilo, levou o Inmetro a rever a sistemática de venda.
O erro máximo admitido no peso do produto, conforme prevê o Inmetro, é de 2% para menos. No entanto, o Ipem flagrou pães sendo vendidos com erros bem acima desse percentual.
Em Bauru, segundo o supervisor técnico regional do Ipem, Luiz Antônio Brizzi, algumas padarias foram autuadas por irregularidades desse tipo. Em uma delas, o produto tinha oito gramas (16%) a menos do volume total de 50 gramas que deveria apresentar.
“Em casos como este, o estabelecimento recebe um auto de infração, do qual pode recorrer. Mas se punido, pode levar de uma simples advertência, o que é menos comum, até ser obrigado a pagar multa que chega a R$ 50 mil”, ressalta Brizzi. Ainda de acordo com ele, o valor da autuação é estipulado conforme uma série de fatores, como a reincidência do erro e o porte da empresa.
Embalagem
A embalagem em que o pão é ensacado também merece atenção especial do consumidor. Segundo Brizzi, seu peso deve ser descontado. “Uma embalagem que pesa dez gramas, que são somados a 200 gramas de pão, equivale a 5% do peso total, o que é muito significativo. Por isso, o saquinho tem de ser desconsiderado. A pessoa está comprando pão, não a embalagem”, destaca.
A partir do momento em que a nova portaria entrar em vigor, o Ipem passará a fiscalizar com maior rigor as balanças. Nestor Giacomelli Lyrio, chefe de divisão de fiscalização do Ipem no Interior, orienta o consumidor a ficar atento com os aparelhos.
“É preciso prestar atenção para saber se a balança está com a verificação do ano, ou seja, se ela foi aferida com padrões oficiais, o que garante uma pesagem correta, sem danos para quem compra”, completa.
Roberto Guimarães, diretor de metrologia legal do Inmetro, diz em nota divulgada no site do órgão que toda a regulamentação será definida em breve, com todas as considerações legais detalhadas.
“A portaria vai estabelecer um prazo para que os estabelecimentos comerciais possam se adequar ao novo regulamento, já que alguns não têm número de balanças adequado ao fluxo de venda. A portaria deverá ficar pronta em 20 dias e entrará em vigor a partir da data de sua publicação”, explica.
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Panificadoras aprovam
Muitas padarias já comercializam o pão francês ou de sal através da balança. Em Bauru, no entanto, das 120 panificadoras em funcionamento no município, menos de dez fazem a venda por peso, segundo o Sindicato das Panificadoras.
Gerentes e proprietários de estabelecimentos do ramo vêem a mudança como positiva, tanto para a empresa quanto para o consumidor. É o caso de José Isaac, dono de uma padaria em Bauru onde a venda do produto é feita por unidade. O empresário ressalta que há quatro anos tentou comercializar o pão francês em seu estabelecimento pelo método de pesagem. Porém, por conta da desaprovação da clientela, teve de retomar a venda unitária. Hoje, o pãozinho é vendido em seu estabelecimento por R$ 0,15. O quilo, assim que a comercialização por pesagem for implantada, será R$ 3,00.
Isaac também acredita que a mudança será vantajosa, principalmente do ponto de vista da concorrência. “As padarias que vendem os pães de 50 gramas bem acima do peso, principalmente para atrapalhar o concorrente que adota a medida certa, agora terão de diminui-lo”, completa.
O empresário, que vende cerca de 7 mil pães por dia, prevê queda no consumo do produto pelo menos nas primeiras semanas da nova sistemática. Ele estima que o consumidor não deve aceitar de imediato a compra do pão por quilo.
Paulo Hermes Pereira, também empresário do ramo, já pratica a venda do produto por peso. O quilo do pão em seu estabelecimento é comercializado a R$ 4,00, o equivalente a 20 unidades. Cada um custa, em média, R$ 0,20.
“Ninguém fica no prejuízo, nem o comerciante, nem o consumidor. Mas quem vende o produto cortado à mão poderá ter perdas e também onerar o cliente. Isso porque uma hora o pão sai com 40 gramas, outra com 60, com 50 e assim por diante. Não há controle”, observa.