08 de julho de 2026
Nacional

Suzane deixa a prisão sob protestos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

São Paulo - Sob os gritos de "assassina", a ex-estudante Suzane von Richthofen, 22 anos, deixou o Centro de Ressocialização Feminino (CRF) de Rio Claro (175 km de SP) ontem às 17h40 escoltada por um delegado e dois investigadores do Delegacia Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) que foram deslocados de São Paulo para levá-la.

Ela deixou o CRF sem falar com a imprensa e dentro do carro da polícia, que a conduziu para a Capital em alta velocidade. Suzane é ré confessa no processo que a acusa de ter planejado e participado da morte dos pais - Manfred e Marísia-, em outubro de 2002.

Este foi o segundo período que Suzane ficou presa. Ela havia retornado ao CRF há 47 dias, desde que teve a prisão decretada novamente. Cerca de 50 moradoras da cidade, entre eles algumas crianças que haviam acabado de sair de uma escola nas proximidades, acompanharam a saída dela. Alguns chegaram a levar máquinas fotográficas. A saída de Suzane da prisão mobilizou, além de uma equipe do DHPP, dez policiais militares que cercaram a saída do CRF com três veículos para evitar a aproximação da imprensa e de moradores.

A libertação foi concedida a Suzane, em decisão liminar, pelo ministro Nilson Naves, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), na sexta-feira passada. O alvará de soltura dela foi assinado pelo juiz do caso, Alberto Anderson Filho, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, ontem por volta das 11h.

O documento só foi emitido após os advogados dela informarem o endereço onde ela ficará até a data de seu julgamento - marcado para 5 de junho. Ela irá para a casa do advogado Denivaldo Barni. Torres disse ainda que Suzane pediu para não ser fotografada ou filmada.

O CRF abriga 117 presas e tem capacidade para 120 - a maioria já julgada. A notícia entorno da saída de Suzane do CRF mobilizou imprensa e alguns moradores desde sexta-feira à noite - dia em que ela foi favorecida pela decisão do STJ. "Tem gente que rouba para comer e fica presa anos. Não entendo como alguém que mata os pais é solta", diz a dona de casa Mara Alves Lima, 58 anos, que mora perto do CRF.

Audiência

Normalmente, depois de deixar a unidade prisional, o réu passa por uma audiência com o juiz do caso para definir regras da prisão domiciliar como eventuais horários em que poderá deixar o imóvel.

O Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo não confirmou se Suzane terá uma audiência com o juiz Alberto Anderson Filho. Outro ponto que deverá ser definido pelo juiz é se Suzane permanecerá sob escolta policial. Para especialistas, a possibilidade é remota.

Anteontem, o advogado Mário Oliveira Filho disse que Suzane não foi libertada no fim de semana porque houve “má vontade” do juiz do 1º Tribunal do Júri em assinar o despacho que autorizava a transferência de Suzane. “O juiz teve a decisão do STJ na mão na sexta-feira e não assinou. Houve má vontade. Disseram que não havia o endereço da prisão domiciliar no ofício, mas o endereço do domicílio sempre foi a casa do Barni e isto sempre esteve nos autos”, disse. O juiz não foi localizado pela reportagem.

Liberdade

Não é a primeira vez que Suzane deixa o sistema penitenciário. Em junho de 2005, o mesmo STJ concedeu a ela o benefício da liberdade provisória que, posteriormente, foi estendido aos supostos cúmplices dela no crime, os irmãos Daniel e Christian Cravinhos.

Em abril deste ano, Suzane voltou a ser presa por decisão do juiz Richard Francisco Chequini, do 1º Tribunal do Júri de São Paulo. O magistrado entendeu que a liberdade dela representava um risco para o irmão, Andreas, com quem Suzane disputa a administração dos bens da família.

O novo mandado de prisão foi expedido em meio à polêmica provocada por uma entrevista concedida por Suzane ao “Fantástico”, da Rede Globo. Nela, segundo o programa, Suzane aparece sendo orientada por seus advogados a chorar e demonstrar fragilidade diante das câmeras.