09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Uma inversão de valores


| Tempo de leitura: 4 min

Venho por meio desta coluna levar a público toda a minha indignação quanto à realidade que vivemos na sociedade dita moderna.

Que país é esse, afinal?

Em que o homem não vale por “ser”, mas pelo que “tem”.

Em que preso fica o homem que é livre, pois o homem que, teoricamente, está preso, tem muito mais regalias e privilégios do que o homem que, teoricamente, está solto!

Em que o homem que é preso dá um gasto de R$ 1.700,00 mensais, enquanto o indivíduo trabalhador da sociedade perfaz mensalmente o incrível salário mínimo, que vale ressaltar, é o valor de R$ 350,00, que é apenas 4,8 vezes menos!

Em que se desligam redes de telefonia celular para que o presidiário não o utilize dentro do presídio, e fazem com que a população fique sem meios de trabalhar, de viver e até colocando em risco os trabalhos prestados (médicos, ambulâncias, bombeiros, policia), ao invés de realizar revista nos presídios e proibir através de fiscalizações periódicas a entrada de celulares! Isso é um grande absurdo, e um desrespeito à população!

Em que os valores humanos defendem pessoas que comentem crimes, e cometem absurdos contra a sociedade civil, e o policial, um instrumento da segurança publica, é tão julgado por matar, mesmo que seja em sua legítima defesa. E que fundamento há?? Pode um homem matar por dinheiro ou por simples prazer e outro não matar, mas deixar-se morrer em serviço?... Se até mesmo a Bíblia cita que é correto manter sua vida em legítima defesa?

Em que não se constroem presídios, que se amontoam pessoas, tratadas como bichos; e tampouco constroem escolas, em que se paga tão pouco aos grandes e lutadores profissionais que são os professores, seres que deveriam passar toda a sabedoria e despertar as potencialidades das crianças.

Em que se corrompem pessoas por não haver respostas monetárias viáveis aos seus serviços...

Em que se dá a redução de pena a pessoas que não estão preparadas, ou melhor dizer, não estão recuperadas (e, afinal, não é esse o papel do presídio, em que o homem fica isolado da sociedade para recupera-se de seu erro? Qual é o erro que faz com que o presídio não alcance essa meta, então?), e que, certamente e comprovadamente (está aí a prova nesta semana de terrores a que fomos submetidos, que não me deixa mentir), saem para cometer novos atos de atrocidade contra a sociedade civil.

Em que pais abusam sexualmente, e que agridem verbal, física e psicologicamente de filhos; e filhos, revoltados, batem, matam, e desrespeitam pais. Qual é o valor da família contemporânea? Qual é o tempo que pais olham pra seus filhos? Se hoje a mídia prega que feliz é quem “tem”, e pais acham que devem trabalhar mais e mais, para realizar desejos de seus filhos, esquecendo-se que, na verdade, amor não se vende e não se compra, e não há maior preciosidade do que um grande almoço de família aos domingos, um joguinho de ‘pelada’, uma pedalada na rua...

Em que idosos vivem em situação de exclusão social e miséria, abandonados por suas famílias e sem renda... Idosos, que são a maior sabedoria de um país...

Que país é esse em que políticos roubam e não são julgados, e a população assiste a isso calada! Somos um país rico, e certamente com o uso correto dos valores monetários arrecadados (nossos preciosos impostos) e uma distribuição justa não haveria tanto sofrimento, exclusão, misérias, e perdas... e hei de ressaltar a importância do voto - à beira da eleição, como estamos -, maior arma e único poder que a população tem de prevenir-se quanto a isso.

Tudo isso é um ciclo... é a falta de dinheiro que gera roubo, e o presídio cheio gera revolta, que gera mortes... pais que não dão amor, filhos que procuram outros meios de chamar a atenção, sendo os vícios, ou prática de crimes...

Onde vai parar isso? Até onde esperar-se-á chegar? Se hoje já estamos presos... impossível imaginar um futuro melhor para meus filhos se não agirmos rápido e conjuntamente! Há de se ter uma reação pública já! Pois a união da sociedade civil é a resposta que terá maior resolutividade! Pensem nisso. Plantemos hoje a semente da Paz, para que floresça uma árvore de Amor no amanhã, que começa a ser construído a partir de hoje.

Caroline Spósito