Brasília - O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), disse ontem ser impossível fazer um pacto de não-agressão com o PSDB. A idéia partiu do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, que na semana passada procurou líderes da oposição para tentar uma trégua que garanta a votação de projetos no Congresso e diminua o fogo cruzado durante as eleições.
Na avaliação de Berzoini, “não é possível construir um pacto com o PSDB” porque o partido preferiu “apostar na crise” o que, segundo ele, “gera instabilidade”, ao invés de fazer uma oposição “com dureza e firmeza”.
Embora descrente, Berzoini destacou que considera necessário melhorar a convivência entre os partidos. “Eu creio que nos próximos quatro anos é preciso estabelecer um novo patamar de relação na política brasileira sob o risco de esgarçamento da vida parlamentar e de prejudicar o entendimento nacional em termos de questões além da vida partidária”, disse.
Berzoini, que é coordenador nacional da campanha de Lula à reeleição, passou o dia reunido na sede nacional do PT, em Brasília, com candidatos do partido nas eleições de outubro. A semana é considerada decisiva para fechar alianças e definir as candidaturas. A partir da próxima segunda-feira, começam as convenções partidárias, quando os partidos indicarão que rumo irão tomar nas eleições de outubro.
O PT deverá sacrificar algumas candidaturas para conquistar o apoio do PMDB, PSB, PRB e PC do B à reeleição de Lula. Berzoini disse que a coligação com o PC do B está certa e que até o final da semana pretende consolidar também o apoio do PSB.
Virgílio
O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), reagiu ontem às declarações do presidente nacional do PT, que acusou os tucanos de adotarem um discurso que impede qualquer pacto de boa convivência. Segundo o senador, o PSDB “nunca impediu esse debate, o que não quer dizer que tenha de compactuar com corrupção e deslizes administrativos”.
“Quando o Berzoini diz que um pacto não é possível é o Berzoini botando velhinho na fila de novo. Ele não consegue entender o país avançando”, alfinetou ele ao citar o episódio envolvendo o petista quando ele era ministro da Previdência.
A idéia de fazer um pacto entre oposição e governo partiu do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, e do líder do PDT no Senado, Jefferson Peres (AM).
Segundo Virgílio, a exemplo do que aconteceu no Chile, o acordo consistiria nos dois lados se comprometerem em não polemizar quando o assunto for câmbio flutuante, meta de inflação, ajuste fiscal, política externa, entre outros pontos.
“Até Alan García [candidato à Presidência do Peru e alvo de denúncias de corrupção] já entendeu da necessidade do pacto e o Berzoini ainda não”, continuou.
O líder do PSDB ressaltou, entretanto, que o pacto não será estendido para as eleições. “Campanha é campanha. Ele (Tarso Genro) não vai querer que façamos uma condecoração ao Waldomiro Diniz e ao José Dirceu”, disse.
A preocupação é com a governabilidade. “Ganhando o Lula, com o PT pela metade, com aliados fazendo bancadas inexpressivas numericamente, ele não teria como propor reformas a não ser que contasse com a nossa ajuda. Quando alguém deve um dinheiro a um agiota no dia 29 de dezembro, o fato de virar o ano, não anistia essa dívida”, explicou.
Para o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, o pacto não é possível porque o PSDB apostou na crise, o que gera uma instabilidade. “Fazer oposição com dureza e firmeza não gera instabilidade, mas não é o que acontece.
Não acredito que seja possível construir um pacto com PSDB”, disse Berzoini.