08 de julho de 2026
Ser

Tribo dos sem-namorado

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

O dia 12 de junho se aproxima e, como acontece todos os anos, uma onda romântica invade a cidade com outdoors e comerciais com cenas apaixonadas, jantares à luz de vela, presentes e cartões melosos. Data especial para os casais, ela também não passa em branco no calendário dos solteiros.

Em busca da cara-metade ou sofrendo pela pessoa amada, alguns se deprimem ou entram em um clima baixo-astral. Mas, para outra parcela dos sem-namorado, estar sozinho não é sinônimo de desespero ou sofrimento. Para eles, a melhor forma de “comemorar” o Dia dos Namorados é sair com os amigos, bater papo e dar boas risadas.

É exatamente isso que a estudante Livia Maria Milaneze Pereira planeja fazer. Solteira há oito meses, ela conta que não se incomoda com isso. “É uma data importante, mas para mim vai ser tranqüilo. Não tenho que gastar com presentes”, brinca.

O estudante André Freitas Baptista, 17 anos, trabalha em uma floricultura e está acompanhando a “movimentação” dos namorados em busca de presentes para o dia 12. “Não tenho como esquecer da data”, diz ele, que está sozinho há seis meses.

Segundo Baptista, além de não gastar dinheiro com presentes para a namorada, a vantagem de ser solteiro é ter tempo de sobra para se divertir com os amigos. “Na turma, a maioria é solteira e no Dia dos Namorados provavelmente vamos sair, ir a algum barzinho.”

Se divertir com amigos é um dos programas preferidos da estudante Giovanna Ferreira, 18 anos. E no Dia dos Namorados sua rotina não será diferente. Ela conta que após a aula sua turma costuma se reunir em barzinhos próximos à faculdade. “Na segunda-feira também vamos nos divertir e dar risadas. Não tem como ficar depressivo.”

Solteira por opção, Ferreira diz que não planejar namorar, pelo menos agora. “Posso sair com amigos sem ninguém pegando no meu pé. Não pretendo casar tão cedo e quero seguir minha vida dessa forma”, diz ela, que trabalha na cobertura de festas para um site de Bauru.

Embora não se sinta incomodada com o Dia dos Namorados, a estudante Gisele*, 20 anos, sente a necessidade de compartilhar sua vida com outra pessoa. “É lógico que eu gostaria de ter e estar com alguém, mas isso não significa que o fato de estar solteira é ruim”, diz.

Gisele ressalta que isso não se relaciona apenas ao dia 12 ou ao mês de junho. “Outras situações podem me deixar mais carente do que o próprio dia. Estudo em Bauru, mas moro em outra cidade e, às vezes, quando estou sozinha em casa ou não tenho ninguém para conversar, bate uma carência e a vontade de ter alguém perto.”

O dia 12 de junho parece incomodar mais os solteiros em situações que envolvam muitos anos de relacionamento ou recente término de namoro. O estudante Fabrício Castiglione, 22 anos, sabe o que é isso. Ele está só há menos de um mês, depois de quatro anos comemorando o Dia dos Namorados. “Estou solteiro há pouco tempo e sofrendo muito. Estava até me preparado para comprar um presente”, conta. “Ando nas ruas ou vou ao shopping e só vejo casais, onde eu vou o que mais aparecem são casais”, diz.

Isso também incomoda a estudante Allini Luciano Curuci, 25 anos. Ela namorou durante oito anos e há poucos meses está solteira. “Não gosto nem de ver outdors nas ruas ou casais se beijando. Na verdade dou risada para não chorar”, diz.

Para não sucumbir ao Dia dos Namorados, Curuci e Castiglione contam com o apoio dos amigos. “No fim de semana e no dia 12 não vou ficar em casa. Vou sair com amigas, tomar uma cervejinha e fazer amizades”, planeja ela. Castiglione pensa em viajar, ir à festas e se divertir na companhia de amigos.

Assistir filmes, organizar churrascos ou reuniões com uma turma de amigos solteiros também são táticas para quem vai passar o Dia dos Namorados desacompanhado. Festas e viagens direcionadas a esse público também estão em alta, principalmente nas Capitais.

* Nome fictício a pedido da entrevistada