09 de julho de 2026
Articulistas

Prece às ‘Três Marias’


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Todas as noites procuro as estrelas que são conhecidas como as “Três Marias”.

Não sei desde quando receberam esta denominação. Tenho, porém, certeza que estes nomes se referem a Nossa Senhora. Quem olhar para o céu pensará que ele, devido à enorme quantidade de fontes luminosas, é abundantemente iluminado, extremamente quente e, por ser o produto de uma gigantesca explosão causada pela vontade do Absoluto, incrivelmente barulhento. Pura ilusão. Nada mais há lá em cima que silêncio, frieza, solidão e escuridão, pois os pontos luminosos encontram-se a distâncias gigantescas e até mesmo infinitas. Que semelhança com o que deve acontecer conosco quando morremos!

Fico a pensar se não foi este o verdadeiro motivo – e não o ensinamento de como se conseguir a “Grande Obra” - que levou Hermes Trismegisto a escrever na Tábua de Esmeralda: “Isto é verdade, sem mentira, muito verdadeiro. O que está embaixo é como o que está em cima, e o que está em cima é como o que está embaixo...”. Olho as Três Marias e reflito: pode ser que nem mais existam, que tenham explodido há bilhões de anos e que sua luz só agora esteja chegando à Terra. O que vejo, então, apenas aparenta ter vida, pois há muito morreu. Que paralelismo incrível!

Quantos de nós estamos mortos e aparentamos estarmos vivos? E quando estamos vivos, mas na realidade estamos mortos? Mortos estamos quando a insensatez nos faz trocar o amor pelo ódio e substituímos a vida pela morte, o perdão pela vingança, a fidelidade pela traição, a bondade pela maldade, a verdade pela calúnia, a humildade pela arrogância e nos vangloriarmos de levarmos a angústia, a dor e o sofrimento a nossos semelhantes.

Oh, Três Marias! Minhas Senhoras e Senhoras minhas! Num mundo cada vez mais iluminado pela Tocha de Lúcifer e onde os servidores de Mamon a cada dia se tornam mais numerosos dai-me, minhas Senhoras, força e coragem para, sejam quais forem as conseqüências, continuar com o juramento dos meus antepassados, principalmente os da Tumba da Cruz Templária, de ter olhos que evitem a iniqüidade e as trevas; nariz que distinga o perfume do bem do odor fétido do mal; ouvidos que discirnam o riso da alegria do pranto da dor; boca que leve a justiça aos pobres e oprimidos; coração sempre movido pela compaixão e misericórdia; obediência e fé para crer, respeitar e cumprir a vontade de Deus; mãos que defendam os fracos e desprotegidos; coragem, não para competir, medir forças ou aceitar desafios que só promovem a vaidade, mas para ajudar os necessitados e pés que me conduzam pelo caminho da luz.

O autor, Aloisio Vilela de Vasconcelos, é professor universitário