11 de julho de 2026
Esportes

Cláudio Amantini:: seis Copas do Mundo, dois títulos mundiais e a paixão pelo Noroeste

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 5 min

Com seis Copas do Mundo na bagagem, o empresário Cláudio Amantini assistiu a dois dos cinco títulos conquistados pela “Seleção Canarinho”. Aos 76 anos, Amantini recebeu, em sua casa, a reportagem do JC e esbanjando vitalidade nos apresentou a mais nova integrante da família. Cláudinha, de um ano, fruto do casamento com Valéria.

Apaixonado por futebol e grande incentivador do esporte, Amantini revelou eficiente memória ao lembrar da equipe brasileira tricampeã do mundo e criticou escalações, como a do time brasileiro de 74, eliminado pelo “Carrossel Holandês”; e a de 90, treinada por Sebastião Lazaroni. Durante a entrevista, Amantini mostrou fotografias das Copas que assistiu de corpo presente e não deixou de citar a paixão pelo clube do coração: o Noroeste.

Veja a seguir alguns trechos da entrevista com Cláudio Amantini.

Jornal da Cidade – Quantas Copas do Mundo o senhor assistiu?

Cláudio Amantini – Eu assisti a de 70, no México, de 74, na Alemanha Ocidental, de 86, no México, de 90, na Itália, de 94, nos Estados Unidos e de 98, na França.

JC - Como é ver o Brasil ser campeão com Pelé, Tostão e Rivellino?

Cláudio Amantini – Para quem vai assistir uma Copa do Mundo, a emoção é muito grande. A gente fica arrepiado quando toca o Hino Nacional. Com esse time em 1970, foi um doce de coco. Eles passeavam em campo, era uma verdadeira orquestra.

JC - Além desses jogadores, o senhor viu também Jairzinho, Ademir da Guia, Zico, Falcão, Sócrates, entre outros. Com a bola nos pés, qual deles mais te marcou?

Cláudio Amantini – Com certeza o Pelé. Mas o Ronaldo, quando “fininho”, também é um excelente jogador.

JC – Em 1974, o senhor viu o Brasil ser eliminado na segunda fase pela “Laranja Mecânica” (Holanda), por 2 a 0. O que o senhor achou do revolucionário sistema tático holandês?

Cláudio Amantini – O Brasil perdeu aquele jogo porque o Jairzinho queria jogar de centroavante. Se ele joga na ponta direita, como vinha jogando nas partidas anteriores, e Mirandinha, que estava numa grande forma, no lugar dele de centroavante, o Brasil teria sido campeão. O “Carrossel Holandês”, como ficou conhecido pela mobilidade do sistema tático, era muito eficiente, mas o Brasil era mais time. Foi mau escalado. O Brasil não tinha comando, era escalado pelos próprios jogadores. Deu no que deu.

JC – Por conta das Copas do Mundo, o senhor conheceu diversos países como Alemanha, México, Itália, Estados Unidos e França. Qual desses mais te surpreendeu?

Cláudio Amantini – Olha, é claro que no México a gente está em casa. Isso pelo idioma e pelo carinho dos mexicanos para com os brasileiros. Agora a Copa mais organizada foi a dos Estados Unidos. Fora isso, gostei muito da Itália como país. E da Europa em geral.

JC – E a Copa mais desorganizada?

Cláudio Amantini – Sem sombra de dúvida a da França foi a mais desorganizada. Teve um dos jogos que, apesar de comprar tudo com muita antecedência, algumas pessoas não puderam assistir nos estádio. Tiveram que ver por telões espalhados pelas cidades.

JC – Qual a Copa do Mundo que o senhor mais vibrou?

Cláudio Amantini – Vibrei muito em todas. Acho que a de 1970, minha primeira Copa, foi a mais emocionante.

JC – E qual a que mais sofreu?

Cláudio Amantini – Com certeza a de 94 que fomos campeões. Ganhávamos tudo apertado. O pior foi o jogo da Holanda, que o Branco marcou aquele gol de falta. E na final então, era um tal de errar pênalti, que tinha gente na torcida que desmaiava.

JC – O senhor acha que o time de 94 era ruim?

Cláudio Amantini – Não, é que jogava na retranca. É claro que não se compara com o time de hoje.

JC – O que acha da Seleção atual? O senhor aprova os convocados de Parreira?

Cláudio Amantini – Eu aprovo. Ele já conquistou uma Copa e não está longe de trazer a segunda. Só não gosto desse favoritismo. Estão endeusando muito essa Seleção. Acho que tem que ter alguém para sacudi-los. O jogador brasileiro gosta de brincar em campo. Numa Copa do Mundo não pode brincar.

JC – Achou justa a entrada de Mineiro no lugar de Edmílson?

Cláudio Amantini – Acho que o Mineiro já devia ter sido chamado na primeira convocação. Por mim, ele seria titular. Ele é meio time do São Paulo.

JC – Na sua opinião, qual a seleção que pode dar trabalho ao Brasil?

Cláudio Amantini – Acho que a Alemanha é muito perigosa por estar jogando em casa. Agora, eu jamais queria encontrar uma Argentina no início da segunda fase. Mas para ser campeão tem que passar por cima de todos.

JC – Onde o senhor vai assistir esta Copa?

Cláudio Amantini – Aqui em casa (apontando para uma grande televisão). Este ano só não fui para a Alemanha porque a Claudinha (filha) é muito pequena. Quem sabe a próxima eu a levo.

JC – Qual o seu time do coração?

Cláudio Amantini – Meu time do coração é o Noroeste, depois o São Paulo. Se jogar Noroeste e São Paulo, eu torço pelo Noroeste.

JC – O senhor foi presidente do Noroeste por muitos anos. O que representa para você o Alvirrubro de Bauru?

Cláudio Amantini – Tudo. O Noroeste é tudo para mim. Tenho muito amor por esse time. Isso é paixão.

JC – O que acha do trabalho da atual diretoria?

Cláudio Amantini – O melhor possível. Só acho que os contratos dos jogadores teriam que ser feitos de forma diferente, como parece que está acontecendo agora.