08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O rock errou, sim!


| Tempo de leitura: 3 min

Olha, Luis Paulo C. Domingues, achei mais um motivo na minha lucubração para acrescentar ao baixo nível intelectual da juventude atual, afinal, como você mesmo disse, você é professor. Olha, Luis Paulo, não faça nenhuma relação ao Rock dos Beatles com esta porcaria que existe hoje. Isto, sim, é uma grande bobagem. E, por favor, pare de dizer que Rock atual é um tipo de cultura. Pode até ser chamado de um estilo musical, e nem ao menos ser chamado de um estilo cultural, porque a cultura a que me refiro é muito mais complexa, e eu não posso admitir que uma aberração como o João Gordo acrescente algo de bom para a cultura de alguém. Como você deu um exemplo bom do rock (daquele que era bom), Yesterday, vou te dar 3 ruins: além do João Gordo, tem um tal de Marcelo D2, que há pouco tempo fazia parte de um grupo que em suas letras faziam apologia à maconha, e o tal do Lobão, que durante uma apresentação no norte do País disse aos jovens que assistiam à apresentação para não usarem drogas na rua porque poderiam ser presos, e sim usarem em casa.

Infelizmente, Luis Paulo, os meus filhos e talvez os seus não tenham acesso ao trabalho realizado pelo Gilvá (que só depois de uma demorada conversa por telefone descobri se tratar de uma pessoa bem intencionada, e que admitiu ter se expressado mau em sua carta quando disse que estava defendendo seus interesses, sendo o que levou-me a manifestar nesta coluna, e também a minha repulsa ao rock atual é lógico), mas tem acesso ao João Gordo, ao Marcelo D2 e ao imbecil Lobão. E como você mesmo disse: como é que o Gilvá vai conseguir uma ordem operacional? Há... você já antecipou isso: no rock não existe.

O rock atual errou ou não errou?

Errou, sim! Fez da juventude atual uma geração massificada (outros estilos atuais também contribuem, é lógico, como o funk, o axé, os pagodeiros), produtos do meio, e o que é pior, Luis Paulo, uma geração com tanto acesso ao conhecimento. Bem, com relação aos processos de seleção de algumas universidades, em certa parte concordo com você, veja que é em certas partes e em algumas universidades. Vejamos: será que a FOB-Bauru, que está entre as três melhores do mundo, usa em suas provas de redação letras de musicas de rock? Tenho quase certeza de que não! As outras, ora as outras, são apenas trocas de interesses, com satisfação mutua, é claro. Você, como professor, sabe do que estou falando, sabe o que aconteceria se houvessem

Sabe Luis Paulo, ficou fácil atualmente buscar culpados pelos nossos fracassos, já reparou como tudo é jogado nas costas dos desmandos dos políticos, as próprias letras dessas famigeradas musicas de rock e funk só fazem criticas ao sistema, mas nunca ouvi uma letra sugerindo algo de bom aos jovens, ou seja, vamos criticar mas sem fazer nada para melhorar, pelo contrario, induz, sim, o jovem ao uso de drogas, induz ao desrespeito à sua família. É, desrespeito, sim! Hoje está muito difícil o dialogo com os filhos, e sem sombra de dúvidas a maior dificuldade e gerada pela influência de vocês. Olha, Luis Paulo, não tenho nenhum medo de afirmar: o mais difícil não é criar os filhos hoje, mas sim dar uma boa educação, ou melhor, dar uma melhor educação cultural. A influência de vocês é muito forte.

Para finalizar, Luis Paulo, tenho toda convicção que tenho feito minha parte, que é: sempre que surge a oportunidade ponderar (com toda certeza você não vai achar ponderação, mas sim radicalismo) a respeito com meus filhos, com meus sobrinhos, e, por incrível que pareça, algumas vezes já ouvi dizerem: "Pô, pai, as coisas evoluem". Ai realmente me altero, se isso for evolução, quero viver no anacronismo. O meu sobrinho mais velho, que é professor na Unesp, e que como você e eu estamos divergimos hoje, vivíamos discutindo, mas hoje ele já entende o que eu queria dizer com acrescentar culturalmente. Só espero que na sua profissão possa fazer algo de construtivo a respeito.

Fátimo Alberto da Silva - RG 10.347.040