11 de julho de 2026
Geral

Se aterro não crescer, dentro de 1 ano Bauru não terá onde pôr lixo

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Por dia, o aterro sanitário de Bauru recebe, em média, 220 toneladas de lixo. É uma montanha de sacos e sacolinhas contendo material orgânico e muito produto que poderia ser reciclado. Apesar de ter perdido pontos na avaliação da Cetesb deste ano - caiu de 9,5 para 7,7 -, o aterro ainda é considerado adequado. O problema maior é que o espaço para a deposição de lixo está chegando ao fim. Se a quarta camada, uma forma de ampliar o aterro verticalmente, não for aprovada logo, em um ano Bauru não terá mais onde depositar os resíduos produzidos por seus 350 mil habitantes.

É uma questão para estar na pauta de discussão hoje, Dia Mundial do Meio Ambiente. E a previsão é dos próprios órgãos municipais. “A quarta camada é a única alternativa que temos”, sentencia Carlos Barbieri, secretário municipal do Meio Ambiente. Isso porque a ampliação horizontal do aterro utilizando, para isso, uma área ao lado do atual, é considerada mais difícil devido ao dinheiro que seria necessário e o tempo para tramitação da autorização da obra.

“Um novo aterro custaria entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões”, admite Renato Purini, presidente da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), que administra o aterro projetado em 1992 e localizado ao lado das penitenciárias 1 e 2.

Por isso mesmo, tanto ele quanto Barbieri apostam na ampliação vertical do aterro através da quarta camada. Ou seja, colocar mais lixo sobre o lixo já compactado e cobri-lo com terra. Mas por enquanto, a solicitação ainda nem foi protocolada na Cetesb. “Estamos preparando edital para contratar empresa especializada para elaborar estudo técnico do aterro para a abertura da quarta camada. Depois, esse estudo será enviado à Cetesb com o pedido para quarta camada”, explica Purini. “Esperamos publicar o edital até o final deste mês. É prioridade”, frisa.

Vida útil

Otimista, ele não vê dificuldades na aprovação da quarta camada que, pelos cálculos da Emdurb, daria mais três anos de vida útil ao aterro. Purini até especula a possibilidade de continuar ampliando verticalmente a área de deposição de lixo com uma quinta camada. O gerente da Cetesb em Bauru, Alcides Tadeu Braga, não foi encontrado pelo JC na sexta-feira à tarde para comentar a viabilidade da abertura de novas camadas.

A assessoria de imprensa do órgão, em São Paulo, informou que a avaliação precisa ser feita considerando vários aspectos do aterro, como estrutura e risco de contaminação do lençol freático. Para Purini, há tempo para obter a autorização da quarta camada antes do final da vida útil. Já Barbieri calcula que não haverá folga de tempo.

É certo que, se o espaço para deposição de lixo não for ampliado vertical ou horizontalmente e outras medidas para reduzir o volume de resíduos não forem tomadas, Bauru vai enfrentar um grande problema ambiental nos próximos anos. Seria um retrocesso para uma cidade que já tem problemas ambientais grandes, como ainda não tratar o esgoto que produz, apesar do compromisso assumido há anos pela prefeitura com o Ministério Público.

Só neste ano, após a aprovação do Fundo de Tratamento de Esgoto, que elevou a tarifa de esgoto de 60% para 100% do valor do consumo de água para custear uma estação de tratamento orçada em R$ 50 milhões, é que o DAE estabeleceu metas para o setor: a expectativa é tratar o esgoto de 120 mil habitantes até 2008.

Desafios

Para o ambientalista e vereador Rodrigo Agostinho (PMDB), a deposição adequada do lixo e a redução de resíduos enviados ao aterro sanitário, ao lado do tratamento de esgoto e do abastecimento de água são os principais desafios que Bauru enfrentará nos próximos anos na área ambiental. Ele lembra que a cidade já enfrenta restrição na construção de novas moradias na zona sul por conta da limitação de água.

Com o rio Batalha operando no seu limite e sem poder perfurar poços profundos em algumas regiões da cidade sob risco de exploração predatória do Aqüífero Guarani, uma das apostas do DAE para abastecer a população nos próximos anos é o córrego Água Parada, nas imediações do novo aeroporto.

Porém, na avaliação de Agostinho, existem dois problemas a serem enfrentados: o alto custo para instalação de uma nova estação de tratamento de água no local e bombeamento até Bauru e o risco de contaminação do manancial com a ocupação da zona norte do município por conta do novo aeroporto.

Mas neste balanço ambiental do município de Bauru, nem tudo é negativo. Agostinho aponta como conquista importante a das áreas às margens de córregos e fundos de vale para serem parques, feita pelo projeto do Plano Diretor, assim como a ampliação da proteção do cerrado, também prevista na lei.