09 de julho de 2026
Esportes

Cidade dobra gastos para receber Seleção

Folhapress
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Königstein - A pequena Königstein, que vai abrigar a Seleção nas próximas duas semanas, cortou programas sociais e teve aumento de despesas de 50% em relação ao ano passado para receber o time nacional.

O município, a cerca de 20 km de Frankfurt, aposta no Brasil para sanar dívidas em que se meteu nos últimos 40 anos. O rombo chegaria a 50 milhões de euros (R$ 146 milhões). O prefeito da cidade, Leonhard Helm, que tomou posse na quinta, diz que a dívida é menor, de R$ 58 milhões.

Para ele, o único modo de mudar o quadro é ganhar fama mundial a custa dos campeões do mundo. Com isso, sobrou para os 16 mil habitantes da cidade. O projeto, cujo tema é “Königstein saúda o Brasil”, custou R$ 1,46 milhão e foi bancado com o dinheiro de impostos.

Desse modo, explica Pöschl, foi impossível dar seguimento a programas sociais, como a construção de uma creche e manter a ajuda financeira a desempregados. Os maiores gastos foram com a reforma do estádio do Königstein e com o festival cultural Brasil-Alemanha, que começa amanhã e reunirá grupos de dança e música em até o dia 16 de junho.

Neste ano, as despesas da cidade dobraram em relação a 2005. Os gastos chegam a quase R$ 12 milhões, segundo o Conselho de Cidadãos. A reportagem ouviu dois moradores de Königstein, que pediram para não serem identificados, e foram contra a vinda da Seleção. Na avaliação deles, é uma aposta muito alta, que elevou demais a dívida pública, e não há garantia alguma de retorno.

Pöschl, porém, é otimista. Diz que 70% da população aprovou a hospedagem da Seleção na cidade. “Sei que é difícil, as pessoas pagaram a conta e nem irão acompanhar os treinos, mas a seleção tem um potencial de marketing incrível e creio que isso trará recursos para a cidade e a tornará um ponto turístico famoso.”

Conhecida na Alemanha por ser uma estância hidromineral, Königstein recebe, anualmente, cerca de 2.000 turistas, número considerado pequeno e que ajuda a explicar a penúria financeira da região, no norte da Alemanha, no vale do Taunus.

“Não temos indústrias, que trazem receitas com impostos. Precisamos fomentar o turismo, que é desconhecido”, afirma Helm. Ontem, a delegação chegou a Alemanha. Ronaldinho disse que assumiu mais responsabilidade no time. “Me sinto diferente de 2002. Muitas coisas aconteceram.”