São Paulo - A represa de Guarapiranga, que em 2006 completa 100 anos, foi abraçada simbolicamente pela população ontem, ao meio-dia. Os manifestantes fizeram o ato em seis pontos da represa, na zona sul de São Paulo.
O abraço foi realizado na véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente - comemorado hoje. Segundo o Instituto Socioambiental (ISA), pelo menos 4 mil pessoas se concentraram em três pontos da Guarapiranga.
Não há um balanço do número de participantes do abraço coletivo. O objetivo do gesto foi demonstrar a preocupação da população com a situação da represa, que passa por grande degradação e é responsável pelo abastecimento de 3,7 milhões de habitantes da Grande São Paulo.
De acordo com o ISA, o abraço também marca um pedido coletivo para a recuperação e a preservação da bacia hidrográfica. Atualmente, 42% da área da bacia sofre algum tipo de intervenção humana - abertura de pastagens e lavouras, por exemplo. Essas intervenções dão origem a núcleos habitacionais que se adensam em locais proibidos ou perigosos, como encostas ou perto da represa.
Um ato ecumênico, com lideranças de comunidades católica, judaica, muçulmana, afro-brasileiras e indígenas, antecedeu o abraço.
O livro “A Mata Atlântica é Aqui. E daí?’’, da jornalista Ana Augusta Rocha e do ambientalista Fabio Feldmann, será lançado hoje.
A obra trata dos 20 anos de luta da Fundação SOS Mata Atlântica e faz um panorama do movimento ambientalista no país. “Hoje a nova geração nem sabe, mas, nos anos 60 e 70, todas as pessoas que lutavam pelo ambiente em São Paulo cabiam numa Kombi. Eram umas 12 pessoas no máximo”, diz o ambientalista Paulo Nogueira Neto, que foi o primeiro secretário da Secretaria Especial do Meio Ambiente (1974-1986). O lançamento será hoje, na livraria Nobel Mega Store (al. Lorena, 1.835, em São Paulo), às 20h.