09 de julho de 2026
Internacional

Achada cratera de 250 milhões de anos

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisadores norte-americanos afirmam ter descoberto com a ajuda de uma dupla de satélites a cratera deixada pelo impacto de asteróide que causou a maior extinção em massa da história da Terra. E se você está pensando em dinossauros, tente outra vez. O evento aconteceu há cerca de 250 milhões de anos, no Período Permiano, bem antes do surgimento daqueles grandes répteis.

A cratera, coberta por quase um quilômetro de gelo, tem quase 500 quilômetros de diâmetro - cerca de metade da distância entre São Paulo e Brasília e mais que o dobro do tamanho da famosa cratera de Chixchulub, produzida pelo bólido que deu cabo dos dinossauros, há 65 milhões de anos. Ela se situa na terra de Wilkes, no leste da Antártida. Sua presença foi detectada graças aos satélites-gêmeos Grace, da Nasa (agência espacial dos EUA).

Os instrumentos servem para detectar anomalias na gravidade da Terra. Voando perfeitamente alinhados, eles saem do prumo toda vez que um deles sobrevoa uma zona mais ou menos densa (que, portanto, exerce uma atração gravitacional maior ou menor). Com isso, é possível inferir dados de topografia e até descobrir o que existe por baixo do manto de gelo da Antártida.

No caso da megacratera da terra de Wilkes, o que o grupo de Ralph von Frese, da Universidade do Estado de Ohio, detectou foi uma concentração de massa - conhecida pelo acrônimo “mascon” - em um determinado ponto. Esse fenômeno é causado por material rochoso mais denso (basalto) que é ejetado do manto terrestre em direção à crosta (composta sobretudo de granito, mais leve).

“Se eu visse esse mesmo sinal de “mascon” na Lua, esperaria ver uma cratera em volta”, disse Frese ao site Space.com. Para tirar a teima, os dados do Grace foram cruzados com imagens de radar daquela região - que mostravam, veja só, uma espécie de círculo bem em volta da anomalia de massa.

Frese, que apresentou seus resultados na semana passada durante um encontro da União Geofísica Americana na semana passada, afirma que a cratera pode estar ligada à chamada extinção do Permiano-Triássico, evento no qual 90% das formas de vida marinhas e 70% das terrestres se extingüiram - abrindo caminho para o surgimento dos dinossauros, há 230 milhões de anos.

Ainda não foi possível, porém, datar o impacto que produziu o buraco. Além do mais, a hipótese de que um bólido espacial tenha sido a causa da pior tragédia da história da vida tem sido questionada por diversos estudos recentes. Eles apontam erupções vulcânicas ocorridas durante alguns milhões de anos como a causa principal da grande extinção.